terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O Ano de Excelência do Desporto Em Espanha – 2008


O ano que agora chega ao fim ficará na memória do Desporto em Espanha. Foi um ano épico para “nuestros hermanos”. Baseando-se no crescimento que se tem vindo a notar ano após ano, atingiu este ano resultados excepcionais e que mostram bem o investimento que é feito no lado de lá da fronteira.

Este crescimento mostrou ao mundo uma superpotência desportiva de excelência e que reflecte a pujança da sua economia e o vigor e mobilização da sua sociedade no geral.

A Espanha é cada vez mais respeitada pela sua capacidade a nível mundial. Esse crescimento tem sido acompanhado pelos resultados desportivos ao longo dos últimos anos. Fortemente incentivado pela realização dos Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona, o desporto espanhol não estagnou, antes avançou cada vez mais chegando neste ano de 2008 ao seu ano-maravilha.

Comecemos pelo Futebol. Se ao nível dos clubes o seu poderio é conhecido desde há muito, este ano viria a mostrar-nos uma Selecção que encantou os amantes do desporto-rei no Europeu da Áustria-Suíça. Um futebol fantástico levou-os a uma conquista indiscutível e por todos reconhecida como justa. A equipa que sistematicamente era vista como a grande decepção em todas as grandes competições conseguiu desta feita deitar para trás esse estigma e conquistar o troféu, deitando para trás anos de desilusões sucessivas. Os nomes de Casillas, Sérgio Ramos, Iniesta, Xavi, David Villa e Fernando Torres foram aqueles que mais se destacaram.

Se ao nível do futebol a conquista do Europeu foi um facto de maior importância então que dizer do Ténis espanhol? Os espanhóis têm já grande tradição nesta modalidade – sobretudo na terra batida. E é na terra batida que ao longo dos anos foi afirmando a sua qualidade. Mas como não podia deixar de ser 2008 marcou a conquista de um patamar ainda mais elevado.
Começando por Rafael Nadal. O maiorquino foi absolutamente sublime neste ano, merecendo todas as honras (na minha opinião é um sério candidato ao Laureus Award de 2008). De maior realce o facto de ter destronado o campeoníssimo Roger Federer do posto de nº 1 ao fim de mais de 3 anos. Para o conseguir teve de efectuar aquela que foi a melhor temporada da sua carreira. Semi-finalista na Austrália e nos Estados Unidos (Hard Court), venceu em Roland Garros (4ª vitória consecutiva) e conseguiu o maior feito de todos: derrotou Federer no seu “quintal” de Wimbledon. A cereja no topo do bolo foi colocada em Pequim com a conquista da medalha de ouro no torneio individual dos J.O.
Mas nem só de Nadal vive o ténis espanhol. Mesmo sem o seu representante supremo os espanhóis conseguiram arrebatar para si a Taça Davis num duelo fantástico em solo argentino, contra a equipa local. A Argentina tinha um recorde de invencibilidade em sua casa. Ainda para mais desfalcados do seu nº1 os espanhóis eram tudo menos favoritos. No entanto Fernando Verdasco, Feliciano Lopez e seus companheiros não se atemorizaram e trouxeram para casa o troféu maior do ténis mundial.

Ainda no que a desportos de massas diz respeito é também assinalável o sucesso espanhol no Ciclismo em 2008. Venceram as 3 (!!) grandes voltas – Giro, Tour e Vuelta – e ainda a prova dos Jogos em Pequim. Os heróis desta façanha: Carlos Sastre (Tour), Alberto Contador (Giro e Vuelta) e Sánchez (J.O.). Mas não se pense que eles são um caso único. Pois há muitos ciclistas de topo no pelotão mundial. Em Portugal também podemos apreciar o poderio da Invencível Armada castelhana. David Plaza, Hector Guerra e Xavier Tondo são aqueles que nos últimos anos têm dominado as estradas lusitanas.

Depois há os desportos de pavilhão onde os espanhóis também se destacaram.
No Basquetebol os actuais campeões do Mundo e finalistas vencidos do campeonato da Europa alcançaram a medalha de prata nos Jogos, apenas sucumbindo frente ao poderosíssimo Dream Team norte americano.
Em Andebol e Voleibol estamos já acostumados a assistir ao domínio dos seus clubes nas provas continentais (tal como em 2008) e ultimamente também se pode ver esse reflexo ao nível das selecções.
Por fim o Hóquei em Patins. Em 2008 mais um campeonato do Mundo se juntou ao palmarés de Espanha. Recordo que a selecção de Espanha tem sido sucessivamente campeã tanto do Mundo como da Europa. No Hóquei tal como nas outras modalidades o domínio não se fica na sua Selecção. Os seus clubes são também eles campeões continentais frequentemente.

Na NBA também se vai notando um crescimento na representatividade e também na qualidade dos interpretes espanhóis. Uma das grandes vedetas é hoje em dia Pau Gasol – só a sua chegada a L.A. permitiu a chegada à Final da competição e a afirmação definitiva dos Lakers. Mas não é o único. Jorge Garbajosa, José Calderon, Marc Gasol e alguns outros têm vindo a ganhar um lugar de destaque entre as estrelas do “maior espectáculo do Mundo”.

Suficiente? Ainda não. Mais exemplos? No Golfe foi um espanhol que conseguiu os melhores feitos do ano (desculpem mas não me lembro do nome – acho que é um tal de Molina). Em desportos motorizados também tem sido recorrente ver o nome de pilotos castelhanos no lugar mais alto do pódio: Carlos Sainz nos Rallys de Todo o Terreno, Marc Coma e outros motards no Rally Dakar, Fernando Alonso na Fórmula 1, Daniel Pedrosa e Jorge Lorenzo em Moto GP. E pensem bem no que estes resultados traduzem ao nível de investimento e de patrocínios ao mais alto nível por parte das grandes marcas espanholas (Repsol, Motorola, Cepsa, entre muitas outras).

Reflexão:

Para terminar partilho apenas uma reflexão que me ocorre variadíssimas vezes quando vejo estas conquistas do desporto dos nossos vizinhos. Tento nessas alturas recordar o nível elevado de auto-estima colectiva que surge num momento desses. De cada vez que temos um Sérgio Paulinho, um Francis Obikwelu, um Nelson Évora ou uma Vanessa Fernandes todo o nosso país exulta de alegria (legitimamente, claro). Agora imaginem o que é assistir a todos estes feitos por parte dos seus desportistas por parte dos nossos vizinhos espanhóis. São feitos ao mais alto nível. Campeões de modalidades altamente competitivas e de propaganda mundial. E atenção, estamos a falar de um país com 45/50 milhões de habitantes, não de uma Rússia, China ou Estados Unidos.

Serve tudo isto para dizer que se há um capítulo que admiro o povo espanhol e o seu desenvolvimento recente é no capítulo desportivo. Porque entendo que o Desporto traduz muitas vezes o estado de desenvolvimento de um país – e como isso é verdade no caso de Espanha!. Creio mesmo que seria de todo o interesse que de certa forma pudéssemos copiar o seu modelo de desenvolvimento. Se bem que tenho presente as nossas limitações de nível financeiro e também cultural, onde o futebol é rei e senhor das nossas atenções.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Hugo Leal – Como não Gerir uma Carreira

A primeira memória que tenho do Hugo Leal enquanto jogador remonta há cerca de 12/13 anos, quando o vi jogar em Santarém com a camisola dos Juniores do Benfica contra o União local. O resultado não recordo bem, no entanto havia algo de especial naquele míudo. Destacava-se de todos os outros pelo seu toque de bola e sobretudo pela elegância. No final do jogo tive oportunidade de trocar algumas palavras com o aspirante a craque e fiquei muito impressionado. Mostrava ser uma anti-estrela e também um jovem com os pés bem assentes no chão. Com uma postura bem diferente daquela que sempre me habituei a ver nos jovens craques, foi fácil perceber que estava na presença de um jogador com bastante futuro. Desde muito novo que foi internacional e teve uma ascensão meteórica tanto no seu clube como nas camadas jovens da Selecção – chegou inclusive a ser chamado à equipa principal de Portugal.

Todos os que os viam jogar, desde treinadores, colegas, adversários e jornalistas, lhe previam um futuro brilhante. E de facto tinham razão. O que acho que falhou na sua carreira foi a gestão que fez da mesma. Vamos por partes…

Meses depois do jogo que tive oportunidade de ver em Santarém, o Hugo Leal estreou-se no Benfica pela mão de Manuel José. Na altura com 16 anos, foi uma autêntica bomba. Um míudo das escolas a estrear-se com a camisola do Benfica. Era o confirmar das impressões que tivera antes – o rapaz era mesmo craque. No ano seguinte esteve emprestado ao Alverca, onde formou uma dupla que ainda hoje é falada, com Deco (e como diferiram depois as suas carreiras). Após esse ano de aprendizagem e crescimento voltou à equipa principal do Benfica onde começou a brilhar cada vez mais. Na época seguinte caiu de vez no goto de todos, assinando exibições muito interessantes e afirmando-se cada vez mais. Acarinhado pelos benfiquistas, colocado ao nível das estrelas do clube, tinha tudo para crescer na Luz e projectar-se para um patamar muito elevado. No entanto foi nesta altura que as escolhas (erradas) viriam a tornar-se preponderantes na sua carreira. A sua rescisão bem polémica marcou a sua carreira como futebolista na minha óptica. Foi uma imagem da qual nunca mais se conseguiu livrar. Até em termos psicológicos isso se notou.

Chegado a Madrid ainda muito jovem e depois de um processo de grande desgaste (no qual viria a ser condenado a indemnizar o Benfica) conseguiu fazer 2 boas épocas com o Atlético antes de se transferir para Paris. Em Madrid protagonizou com Dani uma dupla de sonho para todos os “colchoneros”. Dois míudos cheios de talento e que ainda para mais eram os meninos-bonitos por onde quer que passassem. Curioso como em ambos os casos a sua carreira teve um desenrolar bem diferente do que lhes era augurado. O salto para Paris, onde vestiu a camisola do P.S.G., não surpreendeu. Foi contratado como grande estrela, com um super-ordenado. Era o mais bem pago da equipa – à frente de Ronaldinho Gaúcho por exemplo (!?!). Porém o seu futuro em Paris foi destroçado devido a esse mesmo detalhe – o ordenado. Juntando a isso uma lesão e exibições fracas o resultado era óbvio, a dispensa.

Foi então que regressou a Portugal. Contratado pelo F.C. Porto na época pós-Mourinho pensou-se que poderia ser um relançar da carreira ao mais alto nível. No entanto a sua carreira ainda não tinha entrado na parte mais descendente. Seguiu-se meia temporada na Académica de Coimbra (onde esteve em muito bom plano), uma passagem discreta por Braga e um ano praticamente parado no Belenenses. Agora retomou a carreira… no Trofense.

E é neste ponto que me queria focar. Vi no outro dia uma entrevista a Hugo Leal. No programa estavam também o João Pinto (seu ex colega no Benfica) e Luís Freitas Lobo. Foi constrangedor. Ambos estavam visivelmente inibidos ao comentarem a carreira e potencialidades do jogador. Ficou a sensação de que às tantas lhes apetecia dizer: “epá como é que chegaste a este ponto? Um jogador como tu?”. O próprio jogador parecia basear o seu optimismo num passado já bem longínquo.
Às tantas o entrevistador colocou uma questão pertinente: “Como se sente quando vê Simão Sabrosa (sobretudo este), um seu ex-colega de Selecção e também ele um míudo-promessa, brilhar e ter uma carreira notável?”. Foi notório o “engolir em seco” de Hugo Leal.

Fica a lição. Uma carreira de futebolista constrói-se ao longo de 10/15 anos ao mais alto nível. O que aconteceu a Hugo Leal foi o inverso. Inicio fulgurante é certo. Mas agora que está com um pouca mais de meio da mesma dá por ele a jogar no Trofense, depois de muitas experiências falhadas nos últimos anos. Ele que já jogou (e brilhou) ao lado de grandes craques – Ronaldinho, Simão, Deco – vê-se agora a disputar um lugar no meio-campo da equipa da Trofa, lutando para não descer de divisão. Hugo Leal quis crescer muito depressa e foi vítima disso mesmo.

Bem sei que as lesões têm desempenhado um papel muito importante na falta de rendimento continuado de Hugo Leal, no entanto creio que o episódio que passou com o Benfica manchou desde muito cedo a sua carreira. Sempre que o seu nome vem à baila não há ninguém que se esqueça dessa traição que protagonizou a quem tanto acreditou no seu valor e acarinhou.

Nos anos que passou em Espanha e França ganhou muito dinheiro certamente. Aquando do seu regresso a Portugal para representar o Porto também deverá ter conseguido negociar um bom contrato. A parte financeira não deve ser o maior pesadelo de Hugo Leal. Nada lhe deve pesar tanto como pensar no que já foi enquanto jogador e no que é actualmente – um jogador, uma ex-promessa, em busca de um relançar de carreira (mais um?). Dá que pensar…

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Um Olhar Sobre o Fim-de-Semana – 29/11/2008 a 01/12/2008


Mais um fim-de-semana passou com muito futebol. Sobretudo futebol.
Começo por realçar um aspecto positivo já que essa é a melhor forma de começar. Com as boas notícias.

No jogo entre Sporting e Vitória Guimarães (2-0) destaco duas prestações:
Pereirinha: já no jogo do meio da semana contra o Barcelona me tinha parecido bastante feliz a sua adaptação a lateral direito. O jogo de Domingo confirmou essa impressão positiva deixada anteriormente. É um jogador em quem Paulo Bento tem apostado continuamente, no entanto o máximo a que estamos habituados a vê-lo em campo são 15 a 20 minutos por partida – manifestamente pouco. Vamos ver se consegue em primeiro lugar manter-se nas apostas iniciais do treinador e, em 2º, confirmar as boas exibições em futuras ocasiões. Abel que se cuide

Manuel Cajuda: sou um admirador da personalidade e postura do algarvio. Há muita gente a quem não agrada a sua postura, ironia e inconformismo. A mim contínua a agradar-me bastante. Gosto muito de como jogam as suas equipas e é costume vê-lo fazer muitas “gracinhas”, como gosta de lhes chamar. A sua passagem por Guimarães tem sido espectacular – pena a não qualificação para a fase de grupos da Liga Campeões. No entanto realço apenas um ponto que a meu ver tem sido menos positivo. É que no confronto com os 3 grandes durante estas duas temporadas de Primeira Liga tem sido escasso o seu amealhar de pontos. Se a memória não me atraiçoa apenas conseguiu um empate na Luz e uma vitória sobre o Sporting em Guimarães, ambas no ano passado. Fora isso tem acumulado desaires e, principalmente, exibições descoloridas e bem abaixo do que esperamos do Vitória (legitimamente)

Passando ao jogo entre Porto e Académica (2-1), cujo resultado não expressa a superioridade evidenciada ao longo de todo o jogo, faço dois destaques altamente negativos e realço mais uma prestação excelente:

Pavlovic: este jogador sempre me pareceu bastante agressivo e pouco dotado tecnicamente. Dos poucos jogos que tenho visto da Académica parece-me ser um jogador que serve principalmente para dar consistência e força à defesa e meio-campo defensivos da Briosa. Ora neste jogo conseguiu agredir 3 (!!!) vezes o jogador Hulk, passando sempre incólume. Sempre que havia um choque entre os 2 era vê-lo direccionar um cotovelo à cara do brasileiro no meio da confusão. No primeiro lance em que tal aconteceu o livre daí resultante deu origem ao 1º golo do Porto. Crime e Castigo.

Sougou: o que passou pela cabeça do jogador? A entrada sobre Fernando foi mesmo daquelas que nos obriga a desviar o olhar. É sobretudo evidente quando vemos em câmera lenta e vemos Sougou a despir verdadeiramente a meia ao médio do Porto. Arrepiante.

Hulk: este jogador é fantástico. Desde o 1º momento em que o vi com alguma atenção que acho que é um jogador que pode dar muito ao Porto. Uma contratação bem feliz – embora muito questionada ainda hoje devido ao seu valor e proveniência. A palavra que me vem à cabeça é Impressionante. Por tudo, pela força, destreza, aplicação, etc…

Sobre o jogo do Benfica contra o Setúbal (2-2) destaco sobretudo a nomeação de Katsouranis para capitão. Ainda para mais estando Quim em campo. A mim agrada-me pois o grego é dos jogadores que mais gosto de ver jogar no Benfica. Aprecio sobretudo a sua capacidade de aparecer em zona de finalização quando joga no meio-campo. Tem praticamente uma oportunidade de golo por jogo.

Lá por fora reforço 2 ideias que me acompanham desde há muito:

Scolari: agora que está na moda louvar o Sargentão pela sua passagem pela Selecção (principalmente pelas fracas prestações neste início de Carlos Queirós) e pelo início de época em bom nível no Chelsea, deixo aqui a minha opinião. Scolari vai falhar em Inglaterra porque é mau treinador e porque o espírito dele não se vai adequar às exigências. Relembro que nos jogos a doer tem acumulado desaires ou empates (Manchester United, Liverpool, Arsenal, Roma, Cluj, Bordéus), tendo sido também eliminado pelo Burnley da Taça da Liga, jogando em casa (afinal não é só Queiróz que facilita em jogos fáceis). Sempre o achei um fraco treinador (apenas destaco o espírito de grupo que incute nas suas equipas) e agora que o vejo no banco dos londrinos confirmo essa impressão. Muitos ficaram impressionados com o seu início de época, como quem diz “olha, afinal o homem até é bom”. Contudo uma época é muito longa e é nos jogos a doer que se vêem os bons treinadores.

Pepe: este Sábado Jorge Valdano escreveu sobre ele na crónica que assina para A Bola. Focou um aspecto de Pepe com o qual não posso estar mais de acordo, disse que ele é fantástico e cheio de atributos notáveis mas que comete falhas em todos os jogos – invariavelmente. Pode fazer uma exibição notável mas é muito raro haver um jogo em que não cometa um deslize de alta gravidade.
Digo o mesmo. Sobretudo desde que saiu do Porto que vemos um Pepe cheio de (exagerada) confiança – será vaidade?, e com aquela mania de “ir a todas”. Irrita-me essa postura até porque se quisermos ver sem entrar naqueles histerismos tão portugueses, é um facto que apesar de ter condições para ser um excelente defesa-central, Pepe abusa da confiança com que encara os lances.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sporting – 2 v Barcelona – 5

Assisti na 4ª feira ao vivo ao jogo entre Sporting e Barcelona. Com a qualificação garantida por ambos os emblemas já pouco estava em causa, para além da importância da conquista do 1º lugar do grupo.

Assim sendo estavam reunidas condições para que se assistisse a um grande jogo, visto estarem as 2 equipas livres daquela pressão que muitas vezes afecta o discernimento dos jogadores.

Para o Sporting a muralha a ultrapassar era claramente de monta. Não seria fácil bater um Barcelona de grande qualidade, ainda que existisse um certo ar de descompressão nas estrelas do Barça.

O jogo foi desde cedo assumido pelo Barcelona. A superior qualidade reflete-se sobretudo na magistral técnica individual de todos os seus jogadores num capítulo muito simples do futebol, muitas vezes menosprezado – o passe e o domínio de bola. É absolutamente incrível a capacidade da equipa blaugrana de trocar a bola. Muitas vezes fica a ideia que, caso o pretendessem, conseguiriam congelar a bola durante os 90 minutos de jogo. É de tal forma visível a qualidade neste aspecto do jogo que a equipa do Sporting, recheada de jovens valores e que nos acostumou a exercer uma pressão muito forte sobre o portador da bola, muitas vezes dava a ideia de baixar os braços perante as evidências.

Desde há muitos anos que admiro esta marca do futebol do Barcelona. Recordo-me dos tempos em que a equipa onde pontificava, entre muitos outros, o agora treinador principal – Josep Guardiola – oferecia verdadeiros espectáculos de posse de bola e comando de jogo. É uma equipa que quando assume uma partida muito dificilmente o adversário consegue lutar com as mesmas armas. E o que se viu ontem em Alvalade teve origem nisto mesmo; na capacidade superior do Barça em comandar um jogo durante 90 minutos, como um verdadeiro relógio que vai pautando todos os momentos de jogo.

Estrelas existem em catadupa naquela equipa. Impressionou-me o Daniel Alves pela sua energia e entrega; Rafael Marquez – confesso que o julgava mais imponente fisicamente, ainda assim tremendamente eficaz; Messi, claro, como não podia deixar de ser, estrela maior do conjunto, verdadeiro génio à solta ainda que deixando a sensação de alguma poupança; Thierry Henry pela sua entrega e velocidade; Busquets, não conhecia o jogador. De elevada estampa física mostrou ainda assim ser um jogador de grande talento e classe. A rever no futuro; Xavi pois claro. O estratega-mor da equipa; finalmente Bojan Krkic – é um míudo cheio de qualidade, a lembrar Messi em muitos detalhes. No Sporting destaco 2 jogadores: Pereirinha pela sua entrega, velocidade e também por ser uma das raras hipóteses de o ver em acção ao longo dos 90 minutos; Liedson pela raça, qualidade e garra demonstrada – como sempre nos habituou.

Foi um resultado que não esperava mas que acima de tudo acabou por ser natural face a tamanha superioridade demonstrada. O Sporting também se pode lamentar por alguma falta de sorte mas acho também que são injustas as críticas que se iam ouvindo aqui e acolá ao trabalho de Paulo Bento. O objectivo principal estava já conseguido. Neste jogo o Sporting aprendeu sobretudo uma lição para o futuro.

Para terminar deixo apenas uma nota. Confesso que não sei que tom lhe atribuir. Se por um lado revela algum sentido de humor e de ligeireza, por outro fica uma ideia de conformismo e alguma falta de grandeza. Passo a explicar. Após a conversão do 5-2, os adeptos do Sporting perceberam que o resultado deixara de estar em definitivo ao seu alcance. Não quero ser demasiado crítico, mas pareceu-me ser uma demonstração de pequenez quando as claques do Sporting iniciaram os “olés” a cada passe entre os seus jogadores. É que ainda para mais não foi uma atitude muito inteligente. Do outro lado estava uma equipa que faz da posse de bola uma das suas maiores armas, a jogar com 1 jogador a mais, vencendo por 5-2…. o que se seguiu foi – naturalmente – uma sucessão de 1 ou 2 minutos de trocas de bola pontuadas com “olés” vindos dos adeptos catalães, ainda incrédulos com tamanha manifestação de contentamento com algo absolutamente desprezível. É que o Sporting não fez uma boa exibição – longe disso aliás. Foi uma equipa macia e que não soube anular as forças do adversário em nenhum momento do jogo. Logicamente que não defendo que os adeptos do Sporting deviam sair aborrecidos com a equipa. Longe disso. Agora embarcar em aplausos de pé a todos os jogadores que abandonavam o relvado, entoar “olés” quando perdiam por 5-2 em casa (pese embora fosse contra um adversário de primeira linha) e contentarem-se com coisas tão pequenas denota uma certa ideia de conformismo e até alguma pequenez. Não sei se me fiz entender…

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Se acha os lançamentos de Binya impressionantes, veja isto

A carreira do recém-promovido Stoke City na Premier League está acima das expectativas de muitos. A equipa ocupa o 15º lugar, em igualdade pontual com o 12º e, não sendo popular por um estilo de jogo atractivo (antes pelo contrário), está a fazer uma campanha sólida. Um dos grandes responsáveis é Rory Delap, senhor de uma qualidade pouco comum: os lançamentos de linha lateral.

Se ficou admirado com a potência que o benfiquista Gilles Binya consegue aplicar a um lançamento, então ainda não viu nada. Delap é de outro campeonato. Números: os seus lançamentos são responsáveis por sete dos 13 golos marcados pelo Stoke na Premier League.

Em jovem, Delap foi lançador de dardo. E a sua eficácia com os braços é tão impressionante que o seu nome já foi falado para¿ integrar a equipa olímpica britânica nos Jogos Olímpicos de 2012. O médio desmentiu, diz que isso nunca lhe passou pela cabeça. O seu negócio é mais bola, ainda que com as mãos.

VÍDEOS:
Vídeo de Homenagem a Rory Delap

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Allen Iverson – Tranferência Arriscada

Quem me conhece sabe que sou um grande adepto da NBA, particularmente dos Detroit Pistons. Sou, tal como muitos, da geração que começou a ver as transmissões da NBA nos finais dos anos 80 (aos fins-de-semana, em diferido e na maior parte das vezes com vários dias de atraso). Daí que a maior parte dos portugueses gostem mais de equipas como os Pistons, os Chicago Bulls, os Los Angeles Lakers e os Boston Celtics – justamente aquelas que mais brilhavam na altura. Estrelas como Isiah Thomas, Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, entre outras, eram as mais admiradas por todos.

Os anos passaram e depois de uma equipa que os levou a 2 títulos consecutivos, os Detroit Pistons passaram por algumas temporadas bem longe da ribalta. A geração dos Bad Boys – que lançaram nomes como Isiah Thomas, Joe Dumars, Dennis Rodman e Bill Laimbeer – foi sendo transformada numa equipa de muito menos talento. Durante esses tempos bons jogadores passaram por Detroit. Grant Hill (talvez o maior de todos), Jerry Stackhouse, Alan Houston foram aqueles que, de memória, melhor consigo citar.

Com a chegada de Joe Dumars a General Manager (ele próprio um ex-jogador da casa) tudo começou a mudar porém. Juntou um grupo de jogadores a quem os especialistas viriam a chamar de self made players, isto é, jogadores que andando mais ou menos perdidos pela Liga viriam a atingir um enorme estatuto em Detroit. Richard “Rip” Hamilton, Ben Wallace, Rasheed “Sheed” Wallace, António McDyess e Chauncey Billups. A estes nomes juntou-se um Rookie altamente surpreendente - Tayshaun Prince (que apareceu no 5 inicial apenas nos playoffs!!). E foi com esta base de jogadores que a NBA conheceu aquela que foi considerada como a equipa campeã mais improvável das últimas décadas, os underdogs por excelência. Bateram na final de 2004 os Lakers que nessa época juntaram uma constelação de estrelas absolutamente arrasadora. Kobe Bryant, Shaquille O’Neal, Karl Malone e Gary Payton. Todos na mesma equipa (quem conhece os procedimentos da NBA percebe o que refiro).

E como o post já vai longo está na altura de abreviar….

Esta equipa de Detroit conseguiu um registo notável. Atingiu 2 Finals consecutivas (2004 e 2005) e, de seguida, mais 3 finais de conferência (Miami, Cleveland e Boston). Brilhante. Mas por muito incrível que pareça havia um problema. A equipa que sempre brilhou na regular season e que ultrapassa com facilidade todos os adversários no playoff tem esbarrado sempre no último passo antes das Finals. 3 anos consecutivos. Regular Season imaculada. 1ª e 2ª ronda de playoffs sem grandes ondas. Final de Conferência perdida dramaticamente e aquela sensação de que falta qualquer coisa.

E aqui surge a divisão. O que fazer? Deixar tudo como está ou tentar mudar? Reconheça-se que não é uma decisão fácil e muito menos pacífica. Uma equipa de campeões e que ano após ano demonstra o seu poder. Estamos a falar de um grupo de jogadores que consegue sempre chegar à final. No entanto Joe Dumars optou pelo risco. Uma decisão que caso resulte foi a de um visionário que soube arriscar. Se falhar. Bom, se falhar vai ser apontado como aquele que iniciou o desmembramento de uma equipa de grandes campeões.

E que decisão foi essa? Pois bem, decidiu trocar nada mais nada menos que o capitão da equipa. O seu líder: Chauncey Billups. O MVP do título que alcançaram. O Mr. Big Shot – alcunha que ganhou devido ao seu talento em decidir jogos com lançamentos completamente impreviíveis e decisivos por mais pressão que houvesse. Um dos pilares desta equipa e também seu líder. E por quem foi a troca? Allen Iverson! Apenas e só um dos jogadores mais brilhantes desta liga nos últimos anos. Aqui há uns anos esta hipótese já havia sido levantada e na altura achei que seria óptimo. Agora que se concretizou não sei bem descrever o que penso. Se por um lado a equipa ganha em brilhantismo e rasgo de um jogador espectacular, por outro perde em liderança e capacidade de saber ler os momentos da equipa e do jogo em si.
Isto é, os Pistons dos últimos anos são uma equipa que assenta o seu jogo no colectivo, na distribuição de jogo e anotação de pontos. Ao adquirir Allen Iverson esta matriz pode desequilibrar-se um pouco. Falamos de um jogador que está habituado a, ano após ano, liderar a lista de melhores marcadores na Liga. Se por um lado isso é positivo, por outro denota que o jogador que o consegue é, por norma, membro de uma equipa onde ele se destaca amplamente. Até que ponto isso afectará o modo de vida de uma equipa como a de Detroit? Ainda é cedo para saber. Caso se adapte estamos perante uma séria ameaça à Liga. Caso corra menos bem iremos assistir a um desmembramento de uma equipa que mais do que gostar me habituei a respeitar e admirar.


VÍDEOS:

Bad Boys em acção

A equipa de 2004 e o sensacional campeonato contra os Lakers

Algumas jogadas de Allen Iverson

O primeiro jogo de Allen Iverson em Detroit

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Carlos Daniel – Apresentador de Excelência

Sou desde o início um fã Trio de Ataque (3ª feira à noite na RTP N, com reposição na RTP). De início acompanhava-o aquando da sua transmissão mas nos últimos tempos passei a fazê-lo via online… contingências de ter de acordar cedo.

Existem desde há muito programas dentro deste género. A fórmula parece simples: 3 adeptos dos clubes grandes a dar palpites sobre tudo e mais alguma coisa e 1 jornalista/apresentador que na maior parte dos casos serve apenas como moderador e lançador de temas para a discussão.

Ora no Trio o papel do apresentador sempre teve um estilo bem distinto. Protagonizada por Carlos Daniel, essa tarefa foi sempre desempenhada com uma nota bem elevada. Sendo um excelente jornalista, nunca escondeu o grande gosto pelo Desporto, sobretudo pelo Futebol. Quem não teve a oportunidade de o ver desempenhando essa tarefa perdeu uma verdadeira demonstração de moderação, assertividade, bom senso, discrição, humor, pertinência e por aí fora.

Se o programa foi crescendo e destacando de entre os demais creio que o deve em grande parte ao apresentador. Soube sempre conduzir o programa de modo a que o nível fosse sempre muito alto, fugindo a debates fúteis e questões laterais e sem importância. Fez-se também acompanhar de comentadores e convidados de alto gabarito, paixão (não confundir com facciosismo) e acima de tudo muito “savoir faire”.

Até no programa de despedida protagonizou um momento que mostra bem a sua postura de fuga ao protagonismo. Ao anunciar a despedida fê-lo com elevação, conseguindo disfarçar com muita dificuldade a emoção que estava a sentir e, de seguida, assegurando a transição em pleno programa para o delfim Hugo Gilberto.

O programa não perdeu em qualidade nestas últimas edições. Basta que se siga o modelo anterior para que tudo siga sem grandes sobressaltos e o Trio de Ataque continue a ser o programa de excelência dentro do formato já conhecido.

Já agora um último elogio: ao longo do tempo nunca se conseguiu descortinar qual a simpatia clubística do Carlos Daniel. É conhecida a simpatia pelo Paredes, de onde é natural. Quanto aos 3 grandes, já assumiu que também gosta mais de um deles, no entanto nunca consegui descortinar qual. O meu palpite oscila entre Sporting e Porto, no fundo se tivesse que colocar as minhas fichas diria que acima de tudo ele não é do Benfica (não querendo dizer que ele o demonstra abertamente).


VÍDEOS:

Site do Programa

Programa de Despedida de Carlos Daniel

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Suécia – 0 v Portugal – 0 - Mais do que um ponto

Após o empate do passado Sábado frente à Suécia tenho lido e ouvido muitas opiniões acerca da prestação da Selecção. Com umas concordo mais, com outras nem tanto.

Olhando há partida, e sobretudo tendo em conta o resultado que levávamos na bagagem – contra os igualmente nórdicos da Dinamarca – receava que este pudesse bem ser um prenúncio de descalabro no trajecto rumo ao Mundial. Uma derrota poderia comprometer muito o futuro da equipa (ainda em construção) e obrigá-la a, daqui em diante, ter de vencer praticamente todas as partidas, por forma a acalentar a esperança da qualificação directa. Para quem desconhece, a qualificação directa para o próximo Mundial só será obtida em caso de vitória no grupo de qualificação. Todos os 2ºs lugares terão de disputar um sempre temido playoff. Portugal nunca teve de enfrentar esta derradeira barreira. Desde que a FIFA criou este último passo de acesso às grandes competições, Portugal conseguiu sempre evitá-lo - quer vencendo os grupos onde participou, quer através de um 2º suficientemente forte para evitá-lo.

Voltando ao jogo em si, creio que o empate foi um excelente resultado. Se bem que houve alturas em que ficou a sensação que, com um pouco mais de determinação, poderíamos mesmo ter chegado à vitória. Gostei de ver a atitude concentrada de todos os jogadores – Quaresma à parte… mas já lá vamos.
Se antes de o jogo começar o empate já era um óptimo resultado, para quem viu o jogo com alguma frieza e distanciamento, a existir um vencedor ele teria de equipar de amarelo e azul. Não foi uma equipa espectacular, é certo, mas a Suécia foi mais perigosa nas ocasiões criadas. Creio até que se tivesse perdido um pouco o respeito à nossa Selecção poderia conseguir uma vitória – pese embora também se arriscasse a perder um jogo num lance rápido de contra-ataque.

Ademais convém lembrar que a Suécia não é uma equipa qualquer. Se bem que é fácil associar as suas equipas a um bando de bons rapazes simpáticos e loirinhos, é bom que não seja esquecido que historicamente é raro vê-los falhar uma grande competição. Não apenas nos últimos anos, como Portugal, mas sim ao longo da história de Mundiais e Europeus. E atenção… podem não sair muitas vezes pela porta grande, mas mais raro ainda é que saiam pela dos fundos.

Já destaquei a concentração competitiva que se notou na exibição do onze português. Não é costume (como devia) ver-se uma equipa portuguesa – Selecção ou clubes – actuar de forma tão compenetrada ao longo dos 90 minutos. É certo que permitiu algumas oportunidades flagrantes ao adversário mas foi sempre uma equipa que actuou unida e com grande espírito de sacrifício. Mesmo àqueles a quem o jogo não correu de feição. Destes destaco Raul Meireles (tantos passes falhados?!?) e Nani (correu, lutou, mas foi pouco eficaz nas suas acções); não estiveram tão certos como os seus colegas do 11 inicial.
Quanto às opções que vieram do banco, interrogo-me porque demorou tanto tempo a entrada em campo de Danny? É um jogador que está num momento de forma soberbo e que apresenta grandes doses de motivação. No pouco tempo em que pode contribuir para a partida foi notório o aumento de velocidade ao mesmo tempo que a bola começou a chegar mais rapidamente à área de Isaksson. Será opção para o jogo contra a Albânia? Creio que não se perdia muito com uma troca com Fernando Meira.
O outro suplente utilizado, Ricardo Quaresma, voltou a mostrar que a Selecção não é, por enquanto, o melhor palco para se mostrar. Não gostei da sua atitude no tempo que esteve em campo. Sou um confesso admirador do seu estilo – provocador por vezes, mas neste caso reconheço que me esgotou a paciência. Para além de uma atitude completamente displicente e até mesmo egoísta e irresponsável, ainda foi a tempo de agredir deliberadamente e com toda a intenção um adversário numa disputa de bola pelo ar. Será que fui só eu que vi? É que para os comentadores de serviço (que saudades do Carlos Daniel) aquele foi um lance quase normal. Foi óbvio... frustrado por não estar a receber todos os mimos e atenções, e após mais uma perda de bola escusada, partiu de cotovelo em riste para cima de um adversário. Quem viu as imagens repara que assim que o árbitro se dirige a ele, é visível o desespero de João Moutinho com receio de uma expulsão – acho que até o próprio ficou admirado com a passividade do árbitro. Já para não falar na entrada despropositada e fora de tempo sobre Kim Kalstrom, dói só de ver. Por mim pagava bem caro por essas suas atitudes. Banco ou até mesmo bancada no jogo contra a Albânia. Talvez não lhe fizesse grande mal.

Interrogações? Será que a equipa tinha beneficiado de uma troca de Raul Meireles por Manuel Fernandes? Por momentos pensei que ela ia acontecer – acho que tinha sido positivo pois não se perdia muito na defesa e poderia ganhar-se alguma coisa em clarividência e acutilância atacante dadas, sobretudo, as dificuldades físicas e actuação menos positiva de Raul Meireles.

Em suma: bom empate. Podia ter sido um pouquinho melhor mas, acima de tudo, também podia ter sido muito pior (última derrota da Espanha em jogos oficiais? Isso mesmo. Derrota na Suécia no apuramento para o último Europeu).


VÍDEOS:

Resumo da partida

Foco em Ricardo Quaresma - aqui está sintetizado aquilo que acima expus sobre ele neste jogo

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

PERGUNTA: Haverá Melhor Sensação??

César Cielo: 1º atleta brasileiro a vencer uma medalha de ouro de natação nos Jogos Olímpicos.

quanto ao vídeo, para quem gosta de desporto e emoções fortes a ele associadas, ele fala por si.

VÍDEO:

César Cielo emociona-se na cerimónia de pódio

p.s. a sua medalha foi nos 50 metros livres. o que eu não sabia é que a prova é feita sem um único respirar, 20 e poucos segundos de pura aceleração debaixo de água

terça-feira, 17 de junho de 2008

Portugal - Alemanha

EXPECTATIVAS

Para o jogo de 5ª feira as expectativas não podiam estar mais no auge. Para os portugueses, e tendo em conta a onda de euforia que corre por aí, esta é uma oportunidade única de olhar a enorme Alemanha olhos nos olhos.

Embalados por Cristiano Ronaldo – hoje sem dúvida o jogador mais mediático do mundo – todos acreditamos que é possível derrubar a Mannschaft. Nunca como até aqui nos foi possível ombrear de igual para igual com estas equipas fantásticas. Hoje em dia poucos serão os que tremem só de olhar para os maiores nomes mundiais.

Este embate aparece antes de tempo. Em circunstâncias normais, se a lógica tivesse imperado, este embate surgiria apenas nas meias-finais. Assim sendo o grande embate deste lado do quadro do sorteio surge antecipado.

Não quero fazer previsões até porque sou péssimo a fazê-las. No entanto há alguns detalhes que me deixam apreensivo. Por um lado o facto de a Alemanha ser uma excelente equipa. É sem dúvida uma super potência do futebol e aquelas camisolas têm um grande peso. Depois há as manobras laterais, fora do terreno de jogo. E acho que aí é que nos devemos preocupar sobremaneira. Porquê? Deixo algumas dicas para a minha teoria da conspiração:

- O Europeu realiza-se na Áustria e Suíça. Dois países fortemente ligados à Alemanha. Em cada jogo da Alemanha tem-se assistido a uma autêntica “invasão” de fiéis às cidades onde se disputa o jogo. Logicamente este é um ponto importante. Se bem que os portugueses também estão em grande número, não se pode comparar à presença dos nossos opositores;
- Angela Merkel, Franz Beckenbauer, Lothar Mathaus; Boris Becker entre outros têm sido vistos – naturalmente – em todos os jogos da Alemanha. São pessoas com um enorme peso e influência nos meios políticos e desportivos. Influência essa que não se coíbem de exercer sempre que possível;
- A Alemanha é patrocinada pela Adidas – pode parecer desligado da realidade, mas na verdade esta é uma guerra mais importante do que muitas vezes julgamos. Lembro que das equipas que estão presentes nos ¼ final deste Europeu apenas a Espanha e a Alemanha são patrocinadas por esta marca. A Adidas é a principal patrocinadora deste Europeu. E esta é uma guerra muito valorizada pelas marcas;
- A habitual influência alemã já se fez sentir neste Europeu, nomeadamente no castigo suave de 1 jogo a Bastian Schweinsteiger após a sua expulsão com vermelho directo frente à Croácia. No jogo com a Áustria – decisivo por sinal – foi claro um penalty cometido por Metzelder quando o resultado ainda estava em branco. Curiosamente esse dado foi pouco falado. Para finalizar começa a ouvir-se insistentemente que o treinador Joachim Low poderá não vir a ser castigado após a sua expulsão no último jogo. Veremos.



São questões que poderão resultar apenas de uma imaginação muito fértil, é verdade. No entanto as nossas equipas – Selecção ou clubes – já tiveram razões de queixa (bastante forte) de confrontos com este adversário. Relembro de cabeça o verdadeiro escândalo da arbitragem do senhor Marc Bata aquando do jogo de qualificação para o Mundial de 1998. Portugal vencia por 1-0 quando o árbitro se lembrou de expulsar Rui Costa. Todos se lembram certamente. Outro exemplo? Fácil. Jogo entre Bayern Munique e Porto nos ¼ final da Liga dos Campeões de há uns anos. Depois do brilhante golo de Jardel já ao cair do pano, o árbitro Hugh Dallas conseguiu empurrar o Porto para a sua área até o Bayern conseguir resolver a eliminatória.


Deixando de lado estas questões marginais, e cingindo-me ao jogo em si, creio que Portugal poderá perfeitamente levar de vencida a Alemanha. Temos armas para isso. Ademais creio que os alemães estão ultra-confiantes. Basta ver as declarações do seu treinador bem como de Lehmann. Creio que esse poderá ter sido mesmo o seu erro capital. Lehmann disse que sabe como parar Ronaldo, que tem a solução. Creio que poderá pagar por isso de forma bem cara. Todos sabemos que se há coisa que o nosso número 7 gosta é de um bom desafio, de uma barreira a suplantar.

Aguardemos.

VÍDEOS:

Golo de Carlos Manuel em Estugarda no apuramento para o México-86

Resumo do último jogo entre Portugal e Alemanha no Campeonato do Mundo de 2006 - Atenção a Schweinsteiger

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Final da Taça - Impressões

Foi com alguma ansiedade que fomos esperando pela final da Taça de Portugal deste ano. Nela encontravam-se as 2 equipas mais fortes desta temporada (uma vez mais).

O Porto tinha atrás de si uma época de incontestável domínio, assente sobretudo na magnífica prestação no campeonato como também na actuação que teve a nível europeu - pese embora a inglória eliminação aos pés do Schalke 04.

Quanto ao Sporting, aparecia-nos com a hipótese de tornar a sua época numa época de certa forma ganhadora e positiva, juntando ao 2º lugar no campeonato a repetição de um título já conquistado na época transacta.

Favorito: o Porto. Apesar das 2 derrotas entretanto averbadas frente ao mesmíssimo adversário durante esta temporada. Ainda assim, a possibilidade que teve de preparar esta final com algum tempo de antecipação, permitia-lhe encará-la com mais frescura física dos seus principais jogadores. Ao Sporting era vaticinada uma tarefa bastante árdua para levar de vencida o seu opositor.

O jogo em si não foi - em minha opinião - muito bem jogado. Houve 2 equipas calculistas e com mais medo de sofrer do que propriamente preocupação em marcar. Essa tendência viria a acentuar-se ainda mais após a expulsão de João Paulo. Daí para a frente o Porto teve de optar por uma estratégia de oportunismo e contra-golpe. Mesmo perante uma estranha atitude de certa apatia dos leões.

Uma coisa que não pude deixar de estranhar foi a estranha forma como Jesualdo Ferreira montou a sua equipa para este desafio.
Porquê a ausência de Bosingwa? Não terá o Porto salvaguardado os seus interesses desportivos aquando do acordo de transferêcnia do lateral direito para o Chelsea? Bosingwa é uma figura de vulto do Porto deste ano. A sua ausência estranhou-se sobretudo nas faltas de acelerações vindas do corredor direito - como é habitual. Ainda para mais para o seu lugar foi chamado João Paulo. O Porto ficou a perder com esta troca e isso reflectiu-se muto no desenrolar da partida.
O outro equívoco? Para mim o principal... Mariano no lugar de Tarik. O marroquino foi peça-chave desta equipa durante praticamente todo o ano. Estranhei que tivesse desaparecido do onze inicial e que tivesse sido lançado para o jogo após o tento inaugural de Tíui, numa clara tentativa de conseguir sacar um coelho da cartola de última hora.

O Sporting acabou por ser um justo vencedor. Foi pragmático, percebeu que o Porto era (e é) melhor equipa e sobretudo soube sempre controlar as emoções por forma a nunca ser apanhado em contrapé nem desguarnecido. Acabou por ter a recompensa de uma forma um pouco controversa. E aí soube conservar essa vantagem preciosa e, inclusivé, ainda alargá-la.

Destaque para Paulo Bento e o óptimo trabalho que tem desenvolvido no Sporting. Creio que é um treinador de grande futuro e acima de tudo um excelente disciplinador de balneário (ver situação de Stojkovic e agora também de Vukcevic). Acho mesmo que são de louvar as 3 qualificações directas para a Liga dos Campeões e as 2 finais de Taça conquistadas. Por vezes tem sido contestado mas viu, sem dúvida, o seu capital de apoio bastante alargado após este final de época leonina.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Poços de Energia Positiva

Michael Carrick - Michael Essien

Esta semana iremos ter a grande final da Liga dos Campeões. Entre os adeptos as preferências vão, sem quaisquer dúvidas, para as estrelas de ambos os conjuntos.
Pelo Manchester os adeptos esperam milagres de Cristiano Ronaldo (principalmente), Rooney, Nani, Tevez, etc... Do lado dos Blues os olhares concentram-se maioritariamente em Drogba, Lampard, Joe Cole...

No entanto existem nos 2 conjuntos 2 jogadores que para mim são absolutamente fundamentais no jogo da sua equipa. São eles Carrick e Essien.

Se bem que são jogadores com características bem diferentes, funcionam ambos como ponto de equilíbrio nas respectivas equipas.

O número 16 dos Red Devils destaca-se por ser um jogador bem fino, discreto, o perfeito oposto do anterior dono dessa mesma camisola (Roy Keane). Raramente dá nas vistas mas no entanto as suas exibições são sempre bastante regulares e, por vezes, até mesmo determinantes. Consegue aparecer a finalizar com relativa facilidade, sendo portanto um verdadeiro box-to-box.

Quanto a Michael Essien. Bom para esse jogador faltam-me adjectivos. A par de Frank Lampard e Ricardo Carvalho, creio tratar-se do jogador mais infuente da equipa de Londres. Sobretudo pela sua força que chega até a parecer inesgotável. Consegue carregar a equipa aos ombros por si só.

Confesso que por mim é uma pena vê-lo jogar pela ala direita (como tantas e tantas vezes aconteceu com Mourinho e começa agora a acontecer com Grant). Nessa posição embora consiga repetidamente exibições bem positivas, fica bastante distante da influência que tem quando actua em terrenos mais centrais.

Na final desta Quarta-feira muitos olhos vão estar nos artistas da bola (no verdadeiro sentido), quanto a mim.... quanto a mim quase que aposto que um destes dois vai ter papel muito importante no desfecho final.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Manuel Cajuda – Pensar o Vitória sem precipitações

Após levar de vencida o União de Leiria, o treinador do Vitória lançou-se numa análise às possibilidades Vitorianas caso seja apurado para uma competição europeia na próxima temporada – como tudo indica que irá acontecer.

Se sempre gostei do estilo de Cajuda, mais ainda gosto das suas concepções de jogo (as suas equipas quando bem oleadas são um regalo para que gosta de bom futebol a toda a largura do terreno) e das suas visões sobre o chamado “mundo do futebol”.

E o que disse afinal Cajuda? Disse tão somente que caso o Vitória consiga um apuramento inédito para a Liga dos Campeões não há que alterar rigorosamente nada à programação da nova época. E porquê? Porque “muito provavelmente seremos eliminados logo na 1ª ronda”. E isto é um facto incontornável. Tirando os 3 grandes quantos clubes conseguem com regularidade prestações de realce nas competições europeias? Conseguiu o Boavista no início da década e tem conseguido o Sp. Braga nas últimas 2 temporadas.

Há o costume de contratar jogadores novos e criar ambições desmedidas. É comum ouvir jogadores falar que gostavam de representar o clube A ou B visto ele participar na UEFA nessa temporada. Ora isto para mim é um tanto ou quanto absurdo. É que tirando casos esporádicos, os clubes que lhes calham em sorte são clubes de 2ª ou 3ª linha do futebol europeu. Que visibilidade tão notável assim tem um clube ou um jogador que jogue frente ao Herenveen, Rapid de Bucareste ou o Hearts, só para citar alguns exemplos recentes.

E é por isso que tanto aprecio Manuel Cajuda e a sua lucidez que porventura contrastará com aquilo que os adeptos pensam ou gostariam de ouvir. É que para se poder falar de Europa a nível decente é preciso muita tarimba, experiência de jogadores, treinadores, adeptos (sim, também para estes é preciso andamento na Europa do futebol) e de toda uma estrutura de suporte. Caso contrário criam-se ilusões desmedidas, projectos de grandeza nunca traduzida na realidade e os efeitos são por vezes nefastos para os clubes. Parece contraditório, mas nos últimos anos temos assistido a clubes que por participarem na Europa acabam por sofrer as consequências durante a época. Na minha opinião isso deve-se em 90% dos casos ao forte desânimo que se apodera de um grupo de trabalho que viu os seus sonhos de protagonismo e capas de jornal esfumados contra um qualquer AZ Alkmaar ou Estrela Vermelha da Europa.

O Vitória sofreu, num passado bastante recente, dos reflexos dessa mesma frustração. Qualificados para a Taça UEFA pela mão de Manuel Machado, viu-se relegado para a II Liga na época seguinte. Sábio como sempre tem sido ao longo dos anos Manuel Cajuda não se deixa precipitar e avisa de antemão – antes de um Vitória europeu há que estabilizar num patamar alto o Vitória de consumo interno. É que isto de brilhar nas competições europeias não é fruto do acaso nem é coisa de se conseguir de um dia para o outro. É uma aprendizagem que se faz com o passar dos anos, com vitórias e derrotas, com o construir de um nome e de um ranking que legitime as ambições de grandeza europeia.

O adeus de um símbolo

João Vieira Pinto anunciou que para ele o futebol em Portugal terminou. Lá fora talvez, dependendo das condições propostas. Por cá chegou a hora de colocar o ponto final.

Confesso… Sou e sempre fui um fã de João Pinto. E acho mesmo que poderia ter ficado ainda mais na história do futebol português. Daqui a 20 anos, os mais novos olharão para JVP com os mesmos olhos com que se olhará por exemplo para Sérgio Conceição, Domingos, Jorge Costa ou Sá Pinto. Na minha opinião poderia estar no mesmo patamar de Paulo Sousa, Luís Figo e Rui Costa.

Verdadeiro desequilibrador era capaz de momentos de génio ao nível dos grandes jogadores. Acontece que a saída necessária a essa projecção internacional acabou por nunca acontecer. Por motivos e circunstâncias diferentes foi sempre dando continuidade à sua carreira por cá. Jogador fantástico, nunca deixou ninguém indiferente. Os que o tinham amavam-no, os que o defrontavam detestavam-no. Incontornável.

Sempre mostrou também um génio único, por vezes descontrolado. Foi vítima de si próprio em algumas situações. A sua entrega e luta levaram-no por vezes a exceder-se quando menos devia. Várias expulsões no campeonato, o caso com Paulinho Santos (mais vítima que pecador no entanto), a suspensão após o EURO 2000 (aligeirada porém), e o caso mais grave – a agressão ao árbitro do Coreia do Sul v Portugal no Mundial de 2002. Como culminar acabou afastado sem qualquer justificação prévia da Selecção Nacional que representou por 81 vezes – a meu ver de forma errada, não se excluí de uma equipa que sempre representou com enorme dedicação alguém sem ao menos lhe explicar os porquês de tal decisão, nem que fosse em privado.

Prefiro recordar João Vieira Pinto como aquele pequeno irrequieto, capaz de momentos de absoluto êxtase. Recordo por exemplo a grande jogada que protagonizou num Portugal v Alemanha em 1997 como exemplo. Viveu momentos únicos como jogador – como herói e vilão. Golos soberbos, históricos até.

No final e como nota de registo fica uma frase que deixou na conferência de imprensa de despedida: “Ao longo dos anos dependi sempre de mim – nunca precisei de ninguém – e isso para mim é que é importante.”. Elucidativo

VÍDEOS:

Biografia de João Pinto no Biography Channel

Quando o bom senso desaparece

A luta anti-doping atingiu um patamar muito baixo. Bateu no fundo. A legítima luta das entidades desportivas por um desporto mais limpo não pode nem deve servir para que se cometam excessos completamente descabidos.

De entre todos os desportos, um há que se destaca na perseguição a eventuais prevaricadores. O Ciclismo. Passaporte biológico, recolhas antes e depois da competição, obrigatoriedade de comunicar às entidades responsáveis a localização a todo o momento dos atletas (mesmo extra competição), enfim… Sendo umas medidas mais acertadas que outras, creio que há que parar para pensar. O ciclismo teve e contínua a ter casos de doping bastante badalados que afectaram em muito a sua imagem. Daí que se tenham implementado bastantes medidas por forma a que os ciclistas sejam punidos a tempo e horas – isto claro no caso de serem prevaricadores.

No entanto – como acima referi – não se pode fazer tudo nesta luta. A semana passada houve um ciclista (creio que belga) que foi sujeito a controlo fora da competição. O grande problema é que o homem não estava em casa nem de férias. Assistia junto com a sua esposa, família e amigos mais próximos ao velório do seu filho recém-nascido. Momento difícil de enorme dor certamente. Mesmo perante este cenário os controladores exigiram ao ciclista uma amostra da sua urina, sob pena de eventual suspensão caso se recusasse a colaborar.

Inacreditável não é? Quem é que se lembraria de decisão tão macabra? Onde é que ficou o bom-senso no meio disto tudo? Ainda para mais o ciclista em causa nem sequer era suspeito de alguma prática ilícita. Há limites para tudo.

domingo, 23 de março de 2008

Taça Liga – Surpreendemente Organizada

Terminou hoje a I edição daquela que foi desde a sua génese uma competição com muita discussão à sua volta.
Pouco interessante para algumas equipas, para rodar jogadores menos utilizados (que o digam Benfica e F.C. Porto), mal estruturada e no essencial pouco atractiva no seu todo.

De início não achei que fosse alterar grande coisa em termos de interesse para a época. No entanto – à medida que a competição foi avançando – deu para começar a valorizar o seu papel.

Para os intervenientes da final este troféu tinha duas leituras diferentes:
- Para o Vitória tratava-se de colocar a cereja no topo de um bolo cuja feitura começou bastante cedo. Com a eliminação de Braga e Benfica e posterior vitoria sobre este mesmo Sporting foi fácil entender a enorme motivação e querer que os vitorianos dispensaram a esta competição.
- Para o Sporting de Paulo Bento esta era uma oportunidade de começar a mostrar a todos que esta equipa ainda ia a tempo de – com um forte final de época – salvar uma temporada que tem deixado algo a desejar. Um vitória nesta final daria novo alento a todos (jogadores, treinador e sobretudo aos adeptos). Ao mesmo tempo serviria para mostrar que ao contrário do anteriormente vaticinado esta poderia ser uma época de grande sucesso (Taça UEFA, Taça Portugal, Taça Liga e um eventual 2º ou 3º lugar no campeonato que abrisse portas para a próxima Champions).


Nos últimos dias, à medida que o jogo final se aproximou notei que era grande a festa que estava programada para esta partida. E não posso deixar de destacar a excelente organização que pudemos constatar. Houve de facto um esforço enorme para que fosse uma grande festa e que acima de tudo nenhum pormenor fosse deixado ao acaso. Fiquei surpreendido com o profissionalismo e minúcia. Ideias novas e arejadas benefeciaram em muito o espectáculo oferecido.

E esta organização não deixou grande coisa por fazer. Certamente que aqui a responsabilidade se reparte entre a Liga de Clubes (organizador) e a Carlsberg (patrocinador). Interessados em extrair grande proveito para todos os intervenientes a organização foi exemplar.

Medidas? Destaco algumas que captei. Umas mais importantes outras mais “mesquinhas” mas que um olhar atento repara e valoriza. Desde logo o investimento feito – certamente que a colaboração da estação oficial da prova, a RTP – na criação de um magazine a ir para o ar no final de todas as rondas. Ao melhor estilo da Liga dos Campeões. É certo que o conteúdo estava limitado aos espectáculos oferecidos (muitas vezes bastante pobres, como também indicam as fracas assistências), no entanto creio que a medida é de realçar.
Para a Final propriamente dita destaco a conferência de imprensa levada a cabo com a presença em simultâneo dos 2 treinadores. Uma medida que proporcionou trocas de palavras e um primeiro apalpar de pulsações e estados de espírito. E depois houveram pormenores que significaram que houve alguém a pensar no espectáculo. Desde a taça em si - desenhada pelo arquitecto Calatrava - passando pela equipa de apanha-bolas que era constituída exclusivamente por “top models” até ao detalhe de o tradicional sorteio da moeda ao ar ter sido feito com uma espécie de carica com a inscrição do patrocinador bem visível.

Contas feitas e após o balanço final à competição fiquei com a ideia que a Taça da Liga veio para ficar. Começou aos tropeções e com muitas críticas – muitas delas justas – mas acabou com uma nota altíssima no que à organização e promoção diz respeito. Com os devidos acertos ao modelo competitivo e um maior empenho dos clubes grandes – excepção feita ao Sporting – reúnem-se as condições para o surgimento de uma competição de muito interesse para o nosso calendário.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Bobby Robson – Lições de Vida







Li na edição de 09 de Fevereiro de 2008 uma excelente entrevista de sir Bobby Robson ao jornal A Bola. É uma figura simpática, um verdadeiro cavalheiro do futebol mundial. Tendo passado por diferentes cargos em diferentes clubes, houve um período que me marcou mais vincadamente – a passagem por Portugal e logo de seguida por Barcelona.

A entrada pelo Sporting embora curta foi muito marcante. Rodeado de excelentes jogadores não demorou a assumir a liderança do campeonato. Acontece que – seduzido pela recente disponibilidade do menino bonito do futebol português da altura, Carlos Queirós – Sousa Cintra tomou aquela que porventura foi a decisão mais badalada do seu mandato. Despedir Bobby Robson. O futuro veio a provar ter-se tratado de um erro crasso com imediatas repercussões. 2 títulos para o F.C. Porto nas épocas seguintes e o desmoronar da base de sustento da famosa equipa leonina. Anos mais tarde um episódio semelhante haveria de se passar na Luz com o seu mais directo colaborador. José Mourinho deixou o Benfica de forma abrupta, rumando na época seuinte para o Norte com os resultados que sabemos.

Da entrevista que li há vários pontos que gostava de salientar. Em primeiro lugar o reforço da imagem bastante positiva que já tinha dele. Trata-se de um homem com uma lucidez enorme e com uma maneira de estar no futebol pouco vista – descontraída, afável e sem alimentar polémicas.

Quanto a passagens, confesso que fiquei surpreendido com algumas das revelações que a entrevista proporcionou. Sobretudo a admiração pelo Benfica, ao mesmo tempo em que revela a amargura que sentiu por nunca ter treinado as águias:
“O Sporting alugou-me um apartamento na zona de Carnide. Era um 9º andar. Mas, das varandas, o que via eu? Nada mais, nada menos, o Estádio da Luz. Senti-me logo agradado com a atmosfera portuguesa. O Estádio da Luz era conhecido no mundo inteiro. Não podia sentir-me estranho à magia que o envolvia. Para mais, entre os portugueses, o meu clube era o Benfica.”.

Mais à frente na mesma entrevista, quando confrontado com os problemas salariais com que se debateu voltou ao mesmo assunto:
“O pagamento dos meus honorários era protelado todos os dias. Eu estava preparado para deixar o Sporting e reorganizar a minha vida. Estávamos em 1993 e tornava-se-me particularmente doloroso olhar o Estádio da Luz e pensar Eis o clube onde devia estar, o Glorioso Benfica, aquele que sempre admirei”.

Nesta mesma entrevista – que sir Bobby anuncia ser provavelmente a última – ficámos a saber que o homem que venceu 5 (!!!) cancros tem já poucos dias à sua frente. A doença parece conseguir levar a melhor sobre a vontade férrea de sobreviver. Esperemos que esse dia ainda esteja (bastante) longe para que nos possamos ir deliciando com algumas delícias como esta que A Bola publicou.

VÍDEOS:

Bobby Robson defende Luis Figo depois de uma má exibição - oiçam bem as palavras sábias do inglês. Foi há 15 anos e pelos vistos estava correcto




quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Australian Open – Meia-Final Masculina – Roger Federer v Novak Djokovic

Uma vez mais a história repete-se.

Começa a ser uma partida cada vez mais apetecida. E antes de cada confronto entre estes jogadores levanta-se a questão “conseguirá Djokovic bater Federer?”.

Creio que ainda não é desta… passo a explicar.

O ano passado, nos 1/8 final a mesma questão foi colocada. Lembro-me de na altura a grande questão era – tal como ouvimos repetidas vezes este ano – que o jogo de Federer não era tão dominador e que, num dia de verdadeira inspiração, este podia ser batido por Djokovic. 3-0 foi o resultado para o suspeito do costume. O jovem sérvio aprendeu à própria custa que ainda estava bastante longe do mestre suíço.










Um ano se passou e as mesmas questões são colocadas. Legitimamente, Djokovic é hoje em dia um sólido 3º classificado do ranking ATP. O seu jogo melhorou e é sempre apontado como um favorito. Mas Roger é Roger. Quando o seu ténis de alto nível é chamado a estar presente, este nunca deixa os seus créditos por mãos alheias… e creio que ao fim da manhã de 6ª vamos voltar a ver Federer erguer os braços para o ar, agradecer ao público com uma só mão, lançar a sua fita de punho para as bancadas e perante o delírio dos presentes avançar para mais uma final do Australian Open.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Australian Open – 22.01.2008 – Maria Sharapova v Justine Henin

34 jogos depois Justine Henin voltou a perder. Não acontecia desde a meia-final de Wimbledon – frente a Marion Bartoli (?!?!).
De lá para cá arrecadou um US Open, um título Masters de final de época e muitos outros torneios do circuito WTA. Para finalizar o ano em beleza terminou uma vez mais como número 1 do mundo, sendo coroada como a melhor – e mais completa – jogadora da actualidade.
Só que esta noite Maria Sharapova não teve contemplações. Jogou como se estivesse numa 1ª ronda, ignorando quem estava do outro lado da rede e aplicou uma verdadeira “tareia”. Se o 1º set ainda teve alguma disputa, no 2º somaram-se os erros de Henin, os winners de Sharapova e o volume dos seus gritos foi sendo cada vez mais intenso – sinal claro de que a confiança está em alta.
E foi assim que, juntamente com as irmãs Williams, Justine saiu pela porta dos fundos desta edição do Australian Open. Depois de desistir na final de 2006, de não ter estado presente em 2007, surge agora esta saída nos ¼ final.
E agora? A minha aposta vai para Ana Ivanovic. Depois de afastar a mais velha das manas Williams, creio que o seu jogo está mais sólido, a sua confiança é muito maior e a juntar a tudo isso tem o apoio do público do seu lado. É ela a nova menina bonita do circuito (com justiça) e depois de uma final de Roland Garros, acho que na Austrália poderá dar o passo em frente rumo a uma vitória num torneio de Grand Slam.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Australian Open – 21.01.2008 – Roger Federer v Tomas Berdych

Suavemente Roger















Não é segredo para ninguém que sou um acérrimo fã de Roger Federer. Digo sem grandes hesitações que é de longe o meu desportista favorito. Logo é natural que as minhas apreciações aos jogos que vejo dele possam parecer um tanto ou quanto parciais. É natural, desculpem mas não consigo de todo dissociar a admiração que tenho pelo seu jogo da minha opinião enquanto simples adepto.

Serve isto para dizer que o jogo de ontem demonstrou uma vez mais a superioridade que Federer tem sobre praticamente todo o circuito masculino.
Jogando contra Tomas Berdych (nº 13 do ranking e enorme promessa), o nº 1 do mundo conseguiu uma vez mais impor o seu jogo de forma absolutamente normal.

Quem viu o jogo ou possa ver um resumo com as melhores jogadas consegue ver com facilidade esses dois factos. Por um lado a superioridade e frieza do suíço nos momentos chave da partida, por outro a enorme qualidade do Berdych – que conseguiu alguns pontos belíssimos.

No entanto fico surpreendido com os alguns comentários que tenho ouvido ultimamente nos jogos de Fed Express. É comum ouvir-se que o suíço não está na sua melhor forma, que o seu jogo não está tão dominador e por aí fora… permitam-me discordar… o que se passa é que de tão habituados que estamos a ver Federer “esmagar” toda e qualquer concorrência, quando ele se limita a vencer (convincentemente diga-se) fica a sensação que baixou o seu nível.

É um facto que na última ronda necessitou de 5 sets para vencer Tipsarevic (sérvio, nº 49 do mundo). É um facto que "Rafa" Nadal se tem exibido em bom plano. É um facto que nunca nos últimos anos o nº 1 do ranking mundial esteve ao alcance do maiorquino. Mas amigos, que não restem muitas dúvidas. Roger Federer é, não só o melhor jogador da actualidade (de longe), como também o melhor tenista de todos os tempos. Os seus registos confirmam-no e creio que no Domingo ao início da madrugada irá aumentar o seu pecúlio de títulos do Grand Slam e confirmar-se como tri-campeão do Slam de Down Under – feito único do ténis profissional!
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(eu avisei que era parcial logo a abrir)












quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Antevisão

Serve esta entrada para dar início ao "diário" desportivo que pretendo construir.

Aqui trarei as minhas opiniões acerca do (muito) desporto que vejo e acompanho diariamente. Uma vez que dedico imenso tempo útil ao desporto - direi que é uma das paixões da minha vida - decidi há já algum tempo partilhar, num espaço acessível a todos, as opiniões e sobretudo sensações que o desporto me desperta.

É natural que de início o funcionamento deste blog não seja o ideal. A ideia é que acima de tudo se vá aperfeiçoando como o passar do tempo, com ideias que me surjam e também com opiniões que consiga ir recolhendo.

Espero que gostem do que aqui vou deixando e conto com a participação de todos.