Assisti na 4ª feira ao vivo ao jogo entre Sporting e Barcelona. Com a qualificação garantida por ambos os emblemas já pouco estava em causa, para além da importância da conquista do 1º lugar do grupo.
Assim sendo estavam reunidas condições para que se assistisse a um grande jogo, visto estarem as 2 equipas livres daquela pressão que muitas vezes afecta o discernimento dos jogadores.
Para o Sporting a muralha a ultrapassar era claramente de monta. Não seria fácil bater um Barcelona de grande qualidade, ainda que existisse um certo ar de descompressão nas estrelas do Barça.
O jogo foi desde cedo assumido pelo Barcelona. A superior qualidade reflete-se sobretudo na magistral técnica individual de todos os seus jogadores num capítulo muito simples do futebol, muitas vezes menosprezado – o passe e o domínio de bola. É absolutamente incrível a capacidade da equipa blaugrana de trocar a bola. Muitas vezes fica a ideia que, caso o pretendessem, conseguiriam congelar a bola durante os 90 minutos de jogo. É de tal forma visível a qualidade neste aspecto do jogo que a equipa do Sporting, recheada de jovens valores e que nos acostumou a exercer uma pressão muito forte sobre o portador da bola, muitas vezes dava a ideia de baixar os braços perante as evidências.
Desde há muitos anos que admiro esta marca do futebol do Barcelona. Recordo-me dos tempos em que a equipa onde pontificava, entre muitos outros, o agora treinador principal – Josep Guardiola – oferecia verdadeiros espectáculos de posse de bola e comando de jogo. É uma equipa que quando assume uma partida muito dificilmente o adversário consegue lutar com as mesmas armas. E o que se viu ontem em Alvalade teve origem nisto mesmo; na capacidade superior do Barça em comandar um jogo durante 90 minutos, como um verdadeiro relógio que vai pautando todos os momentos de jogo.
Estrelas existem em catadupa naquela equipa. Impressionou-me o Daniel Alves pela sua energia e entrega; Rafael Marquez – confesso que o julgava mais imponente fisicamente, ainda assim tremendamente eficaz; Messi, claro, como não podia deixar de ser, estrela maior do conjunto, verdadeiro génio à solta ainda que deixando a sensação de alguma poupança; Thierry Henry pela sua entrega e velocidade; Busquets, não conhecia o jogador. De elevada estampa física mostrou ainda assim ser um jogador de grande talento e classe. A rever no futuro; Xavi pois claro. O estratega-mor da equipa; finalmente Bojan Krkic – é um míudo cheio de qualidade, a lembrar Messi em muitos detalhes. No Sporting destaco 2 jogadores: Pereirinha pela sua entrega, velocidade e também por ser uma das raras hipóteses de o ver em acção ao longo dos 90 minutos; Liedson pela raça, qualidade e garra demonstrada – como sempre nos habituou.
Foi um resultado que não esperava mas que acima de tudo acabou por ser natural face a tamanha superioridade demonstrada. O Sporting também se pode lamentar por alguma falta de sorte mas acho também que são injustas as críticas que se iam ouvindo aqui e acolá ao trabalho de Paulo Bento. O objectivo principal estava já conseguido. Neste jogo o Sporting aprendeu sobretudo uma lição para o futuro.
Para terminar deixo apenas uma nota. Confesso que não sei que tom lhe atribuir. Se por um lado revela algum sentido de humor e de ligeireza, por outro fica uma ideia de conformismo e alguma falta de grandeza. Passo a explicar. Após a conversão do 5-2, os adeptos do Sporting perceberam que o resultado deixara de estar em definitivo ao seu alcance. Não quero ser demasiado crítico, mas pareceu-me ser uma demonstração de pequenez quando as claques do Sporting iniciaram os “olés” a cada passe entre os seus jogadores. É que ainda para mais não foi uma atitude muito inteligente. Do outro lado estava uma equipa que faz da posse de bola uma das suas maiores armas, a jogar com 1 jogador a mais, vencendo por 5-2…. o que se seguiu foi – naturalmente – uma sucessão de 1 ou 2 minutos de trocas de bola pontuadas com “olés” vindos dos adeptos catalães, ainda incrédulos com tamanha manifestação de contentamento com algo absolutamente desprezível. É que o Sporting não fez uma boa exibição – longe disso aliás. Foi uma equipa macia e que não soube anular as forças do adversário em nenhum momento do jogo. Logicamente que não defendo que os adeptos do Sporting deviam sair aborrecidos com a equipa. Longe disso. Agora embarcar em aplausos de pé a todos os jogadores que abandonavam o relvado, entoar “olés” quando perdiam por 5-2 em casa (pese embora fosse contra um adversário de primeira linha) e contentarem-se com coisas tão pequenas denota uma certa ideia de conformismo e até alguma pequenez. Não sei se me fiz entender…
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