Quem me conhece sabe que sou um grande adepto da NBA, particularmente dos Detroit Pistons. Sou, tal como muitos, da geração que começou a ver as transmissões da NBA nos finais dos anos 80 (aos fins-de-semana, em diferido e na maior parte das vezes com vários dias de atraso). Daí que a maior parte dos portugueses gostem mais de equipas como os Pistons, os Chicago Bulls, os Los Angeles Lakers e os Boston Celtics – justamente aquelas que mais brilhavam na altura. Estrelas como Isiah Thomas, Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, entre outras, eram as mais admiradas por todos.
Os anos passaram e depois de uma equipa que os levou a 2 títulos consecutivos, os Detroit Pistons passaram por algumas temporadas bem longe da ribalta. A geração dos Bad Boys – que lançaram nomes como Isiah Thomas, Joe Dumars, Dennis Rodman e Bill Laimbeer – foi sendo transformada numa equipa de muito menos talento. Durante esses tempos bons jogadores passaram por Detroit. Grant Hill (talvez o maior de todos), Jerry Stackhouse, Alan Houston foram aqueles que, de memória, melhor consigo citar.
Com a chegada de Joe Dumars a General Manager (ele próprio um ex-jogador da casa) tudo começou a mudar porém. Juntou um grupo de jogadores a quem os especialistas viriam a chamar de self made players, isto é, jogadores que andando mais ou menos perdidos pela Liga viriam a atingir um enorme estatuto em Detroit. Richard “Rip” Hamilton, Ben Wallace, Rasheed “Sheed” Wallace, António McDyess e Chauncey Billups. A estes nomes juntou-se um Rookie altamente surpreendente - Tayshaun Prince (que apareceu no 5 inicial apenas nos playoffs!!). E foi com esta base de jogadores que a NBA conheceu aquela que foi considerada como a equipa campeã mais improvável das últimas décadas, os underdogs por excelência. Bateram na final de 2004 os Lakers que nessa época juntaram uma constelação de estrelas absolutamente arrasadora. Kobe Bryant, Shaquille O’Neal, Karl Malone e Gary Payton. Todos na mesma equipa (quem conhece os procedimentos da NBA percebe o que refiro).
E como o post já vai longo está na altura de abreviar….
Esta equipa de Detroit conseguiu um registo notável. Atingiu 2 Finals consecutivas (2004 e 2005) e, de seguida, mais 3 finais de conferência (Miami, Cleveland e Boston). Brilhante. Mas por muito incrível que pareça havia um problema. A equipa que sempre brilhou na regular season e que ultrapassa com facilidade todos os adversários no playoff tem esbarrado sempre no último passo antes das Finals. 3 anos consecutivos. Regular Season imaculada. 1ª e 2ª ronda de playoffs sem grandes ondas. Final de Conferência perdida dramaticamente e aquela sensação de que falta qualquer coisa.
E aqui surge a divisão. O que fazer? Deixar tudo como está ou tentar mudar? Reconheça-se que não é uma decisão fácil e muito menos pacífica. Uma equipa de campeões e que ano após ano demonstra o seu poder. Estamos a falar de um grupo de jogadores que consegue sempre chegar à final. No entanto Joe Dumars optou pelo risco. Uma decisão que caso resulte foi a de um visionário que soube arriscar. Se falhar. Bom, se falhar vai ser apontado como aquele que iniciou o desmembramento de uma equipa de grandes campeões.
E que decisão foi essa? Pois bem, decidiu trocar nada mais nada menos que o capitão da equipa. O seu líder: Chauncey Billups. O MVP do título que alcançaram. O Mr. Big Shot – alcunha que ganhou devido ao seu talento em decidir jogos com lançamentos completamente impreviíveis e decisivos por mais pressão que houvesse. Um dos pilares desta equipa e também seu líder. E por quem foi a troca? Allen Iverson! Apenas e só um dos jogadores mais brilhantes desta liga nos últimos anos. Aqui há uns anos esta hipótese já havia sido levantada e na altura achei que seria óptimo. Agora que se concretizou não sei bem descrever o que penso. Se por um lado a equipa ganha em brilhantismo e rasgo de um jogador espectacular, por outro perde em liderança e capacidade de saber ler os momentos da equipa e do jogo em si.
Isto é, os Pistons dos últimos anos são uma equipa que assenta o seu jogo no colectivo, na distribuição de jogo e anotação de pontos. Ao adquirir Allen Iverson esta matriz pode desequilibrar-se um pouco. Falamos de um jogador que está habituado a, ano após ano, liderar a lista de melhores marcadores na Liga. Se por um lado isso é positivo, por outro denota que o jogador que o consegue é, por norma, membro de uma equipa onde ele se destaca amplamente. Até que ponto isso afectará o modo de vida de uma equipa como a de Detroit? Ainda é cedo para saber. Caso se adapte estamos perante uma séria ameaça à Liga. Caso corra menos bem iremos assistir a um desmembramento de uma equipa que mais do que gostar me habituei a respeitar e admirar.
VÍDEOS:
Bad Boys em acção
A equipa de 2004 e o sensacional campeonato contra os Lakers
Algumas jogadas de Allen Iverson
O primeiro jogo de Allen Iverson em Detroit
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