Após levar de vencida o União de Leiria, o treinador do Vitória lançou-se numa análise às possibilidades Vitorianas caso seja apurado para uma competição europeia na próxima temporada – como tudo indica que irá acontecer.
Se sempre gostei do estilo de Cajuda, mais ainda gosto das suas concepções de jogo (as suas equipas quando bem oleadas são um regalo para que gosta de bom futebol a toda a largura do terreno) e das suas visões sobre o chamado “mundo do futebol”.
E o que disse afinal Cajuda? Disse tão somente que caso o Vitória consiga um apuramento inédito para a Liga dos Campeões não há que alterar rigorosamente nada à programação da nova época. E porquê? Porque “muito provavelmente seremos eliminados logo na 1ª ronda”. E isto é um facto incontornável. Tirando os 3 grandes quantos clubes conseguem com regularidade prestações de realce nas competições europeias? Conseguiu o Boavista no início da década e tem conseguido o Sp. Braga nas últimas 2 temporadas.
Há o costume de contratar jogadores novos e criar ambições desmedidas. É comum ouvir jogadores falar que gostavam de representar o clube A ou B visto ele participar na UEFA nessa temporada. Ora isto para mim é um tanto ou quanto absurdo. É que tirando casos esporádicos, os clubes que lhes calham em sorte são clubes de 2ª ou 3ª linha do futebol europeu. Que visibilidade tão notável assim tem um clube ou um jogador que jogue frente ao Herenveen, Rapid de Bucareste ou o Hearts, só para citar alguns exemplos recentes.
E é por isso que tanto aprecio Manuel Cajuda e a sua lucidez que porventura contrastará com aquilo que os adeptos pensam ou gostariam de ouvir. É que para se poder falar de Europa a nível decente é preciso muita tarimba, experiência de jogadores, treinadores, adeptos (sim, também para estes é preciso andamento na Europa do futebol) e de toda uma estrutura de suporte. Caso contrário criam-se ilusões desmedidas, projectos de grandeza nunca traduzida na realidade e os efeitos são por vezes nefastos para os clubes. Parece contraditório, mas nos últimos anos temos assistido a clubes que por participarem na Europa acabam por sofrer as consequências durante a época. Na minha opinião isso deve-se em 90% dos casos ao forte desânimo que se apodera de um grupo de trabalho que viu os seus sonhos de protagonismo e capas de jornal esfumados contra um qualquer AZ Alkmaar ou Estrela Vermelha da Europa.
O Vitória sofreu, num passado bastante recente, dos reflexos dessa mesma frustração. Qualificados para a Taça UEFA pela mão de Manuel Machado, viu-se relegado para a II Liga na época seguinte. Sábio como sempre tem sido ao longo dos anos Manuel Cajuda não se deixa precipitar e avisa de antemão – antes de um Vitória europeu há que estabilizar num patamar alto o Vitória de consumo interno. É que isto de brilhar nas competições europeias não é fruto do acaso nem é coisa de se conseguir de um dia para o outro. É uma aprendizagem que se faz com o passar dos anos, com vitórias e derrotas, com o construir de um nome e de um ranking que legitime as ambições de grandeza europeia.
segunda-feira, 24 de março de 2008
O adeus de um símbolo
João Vieira Pinto anunciou que para ele o futebol em Portugal terminou. Lá fora talvez, dependendo das condições propostas. Por cá chegou a hora de colocar o ponto final.Confesso… Sou e sempre fui um fã de João Pinto. E acho mesmo que poderia ter ficado ainda mais na história do futebol português. Daqui a 20 anos, os mais novos olharão para JVP com os mesmos olhos com que se olhará por exemplo para Sérgio Conceição, Domingos, Jorge Costa ou Sá Pinto. Na minha opinião poderia estar no mesmo patamar de Paulo Sousa, Luís Figo e Rui Costa.
Verdadeiro desequilibrador era capaz de momentos de génio ao nível dos grandes jogadores. Acontece que a saída necessária a essa projecção internacional acabou por nunca acontecer. Por motivos e circunstâncias diferentes foi sempre dando continuidade à sua carreira por cá. Jogador fantástico, nunca deixou ninguém indiferente. Os que o tinham amavam-no, os que o defrontavam detestavam-no. Incontornável.

Sempre mostrou também um génio único, por vezes descontrolado. Foi vítima de si próprio em algumas situações. A sua entrega e luta levaram-no por vezes a exceder-se quando menos devia. Várias expulsões no campeonato, o caso com Paulinho Santos (mais vítima que pecador no entanto), a suspensão após o EURO 2000 (aligeirada porém), e o caso mais grave – a agressão ao árbitro do Coreia do Sul v Portugal no Mundial de 2002. Como culminar acabou afastado sem qualquer justificação prévia da Selecção Nacional que representou por 81 vezes – a meu ver de forma errada, não se excluí de uma equipa que sempre representou com enorme dedicação alguém sem ao menos lhe explicar os porquês de tal decisão, nem que fosse em privado.

Prefiro recordar João Vieira Pinto como aquele pequeno irrequieto, capaz de momentos de absoluto êxtase. Recordo por exemplo a grande jogada que protagonizou num Portugal v Alemanha em 1997 como exemplo. Viveu momentos únicos como jogador – como herói e vilão. Golos soberbos, históricos até.
No final e como nota de registo fica uma frase que deixou na conferência de imprensa de despedida: “Ao longo dos anos dependi sempre de mim – nunca precisei de ninguém – e isso para mim é que é importante.”. Elucidativo
VÍDEOS:
Biografia de João Pinto no Biography Channel
Quando o bom senso desaparece
A luta anti-doping atingiu um patamar muito baixo. Bateu no fundo. A legítima luta das entidades desportivas por um desporto mais limpo não pode nem deve servir para que se cometam excessos completamente descabidos.
De entre todos os desportos, um há que se destaca na perseguição a eventuais prevaricadores. O Ciclismo. Passaporte biológico, recolhas antes e depois da competição, obrigatoriedade de comunicar às entidades responsáveis a localização a todo o momento dos atletas (mesmo extra competição), enfim… Sendo umas medidas mais acertadas que outras, creio que há que parar para pensar. O ciclismo teve e contínua a ter casos de doping bastante badalados que afectaram em muito a sua imagem. Daí que se tenham implementado bastantes medidas por forma a que os ciclistas sejam punidos a tempo e horas – isto claro no caso de serem prevaricadores.
No entanto – como acima referi – não se pode fazer tudo nesta luta. A semana passada houve um ciclista (creio que belga) que foi sujeito a controlo fora da competição. O grande problema é que o homem não estava em casa nem de férias. Assistia junto com a sua esposa, família e amigos mais próximos ao velório do seu filho recém-nascido. Momento difícil de enorme dor certamente. Mesmo perante este cenário os controladores exigiram ao ciclista uma amostra da sua urina, sob pena de eventual suspensão caso se recusasse a colaborar.
Inacreditável não é? Quem é que se lembraria de decisão tão macabra? Onde é que ficou o bom-senso no meio disto tudo? Ainda para mais o ciclista em causa nem sequer era suspeito de alguma prática ilícita. Há limites para tudo.
De entre todos os desportos, um há que se destaca na perseguição a eventuais prevaricadores. O Ciclismo. Passaporte biológico, recolhas antes e depois da competição, obrigatoriedade de comunicar às entidades responsáveis a localização a todo o momento dos atletas (mesmo extra competição), enfim… Sendo umas medidas mais acertadas que outras, creio que há que parar para pensar. O ciclismo teve e contínua a ter casos de doping bastante badalados que afectaram em muito a sua imagem. Daí que se tenham implementado bastantes medidas por forma a que os ciclistas sejam punidos a tempo e horas – isto claro no caso de serem prevaricadores.
No entanto – como acima referi – não se pode fazer tudo nesta luta. A semana passada houve um ciclista (creio que belga) que foi sujeito a controlo fora da competição. O grande problema é que o homem não estava em casa nem de férias. Assistia junto com a sua esposa, família e amigos mais próximos ao velório do seu filho recém-nascido. Momento difícil de enorme dor certamente. Mesmo perante este cenário os controladores exigiram ao ciclista uma amostra da sua urina, sob pena de eventual suspensão caso se recusasse a colaborar.
Inacreditável não é? Quem é que se lembraria de decisão tão macabra? Onde é que ficou o bom-senso no meio disto tudo? Ainda para mais o ciclista em causa nem sequer era suspeito de alguma prática ilícita. Há limites para tudo.
domingo, 23 de março de 2008
Taça Liga – Surpreendemente Organizada
Terminou hoje a I edição daquela que foi desde a sua génese uma competição com muita discussão à sua volta.
Pouco interessante para algumas equipas, para rodar jogadores menos utilizados (que o digam Benfica e F.C. Porto), mal estruturada e no essencial pouco atractiva no seu todo.
De início não achei que fosse alterar grande coisa em termos de interesse para a época. No entanto – à medida que a competição foi avançando – deu para começar a valorizar o seu papel.
Para os intervenientes da final este troféu tinha duas leituras diferentes:
- Para o Vitória tratava-se de colocar a cereja no topo de um bolo cuja feitura começou bastante cedo. Com a eliminação de Braga e Benfica e posterior vitoria sobre este mesmo Sporting foi fácil entender a enorme motivação e querer que os vitorianos dispensaram a esta competição.
- Para o Sporting de Paulo Bento esta era uma oportunidade de começar a mostrar a todos que esta equipa ainda ia a tempo de – com um forte final de época – salvar uma temporada que tem deixado algo a desejar. Um vitória nesta final daria novo alento a todos (jogadores, treinador e sobretudo aos adeptos). Ao mesmo tempo serviria para mostrar que ao contrário do anteriormente vaticinado esta poderia ser uma época de grande sucesso (Taça UEFA, Taça Portugal, Taça Liga e um eventual 2º ou 3º lugar no campeonato que abrisse portas para a próxima Champions).
Nos últimos dias, à medida que o jogo final se aproximou notei que era grande a festa que estava programada para esta partida. E não posso deixar de destacar a excelente organização que pudemos constatar. Houve de facto um esforço enorme para que fosse uma grande festa e que acima de tudo nenhum pormenor fosse deixado ao acaso. Fiquei surpreendido com o profissionalismo e minúcia. Ideias novas e arejadas benefeciaram em muito o espectáculo oferecido.
E esta organização não deixou grande coisa por fazer. Certamente que aqui a responsabilidade se reparte entre a Liga de Clubes (organizador) e a Carlsberg (patrocinador). Interessados em extrair grande proveito para todos os intervenientes a organização foi exemplar.
Medidas? Destaco algumas que captei. Umas mais importantes outras mais “mesquinhas” mas que um olhar atento repara e valoriza. Desde logo o investimento feito – certamente que a colaboração da estação oficial da prova, a RTP – na criação de um magazine a ir para o ar no final de todas as rondas. Ao melhor estilo da Liga dos Campeões. É certo que o conteúdo estava limitado aos espectáculos oferecidos (muitas vezes bastante pobres, como também indicam as fracas assistências), no entanto creio que a medida é de realçar.
Para a Final propriamente dita destaco a conferência de imprensa levada a cabo com a presença em simultâneo dos 2 treinadores. Uma medida que proporcionou trocas de palavras e um primeiro apalpar de pulsações e estados de espírito. E depois houveram pormenores que significaram que houve alguém a pensar no espectáculo. Desde a taça em si - desenhada pelo arquitecto Calatrava - passando pela equipa de apanha-bolas que era constituída exclusivamente por “top models” até ao detalhe de o tradicional sorteio da moeda ao ar ter sido feito com uma espécie de carica com a inscrição do patrocinador bem visível.
Contas feitas e após o balanço final à competição fiquei com a ideia que a Taça da Liga veio para ficar. Começou aos tropeções e com muitas críticas – muitas delas justas – mas acabou com uma nota altíssima no que à organização e promoção diz respeito. Com os devidos acertos ao modelo competitivo e um maior empenho dos clubes grandes – excepção feita ao Sporting – reúnem-se as condições para o surgimento de uma competição de muito interesse para o nosso calendário.
Pouco interessante para algumas equipas, para rodar jogadores menos utilizados (que o digam Benfica e F.C. Porto), mal estruturada e no essencial pouco atractiva no seu todo.
De início não achei que fosse alterar grande coisa em termos de interesse para a época. No entanto – à medida que a competição foi avançando – deu para começar a valorizar o seu papel.

Para os intervenientes da final este troféu tinha duas leituras diferentes:
- Para o Vitória tratava-se de colocar a cereja no topo de um bolo cuja feitura começou bastante cedo. Com a eliminação de Braga e Benfica e posterior vitoria sobre este mesmo Sporting foi fácil entender a enorme motivação e querer que os vitorianos dispensaram a esta competição.
- Para o Sporting de Paulo Bento esta era uma oportunidade de começar a mostrar a todos que esta equipa ainda ia a tempo de – com um forte final de época – salvar uma temporada que tem deixado algo a desejar. Um vitória nesta final daria novo alento a todos (jogadores, treinador e sobretudo aos adeptos). Ao mesmo tempo serviria para mostrar que ao contrário do anteriormente vaticinado esta poderia ser uma época de grande sucesso (Taça UEFA, Taça Portugal, Taça Liga e um eventual 2º ou 3º lugar no campeonato que abrisse portas para a próxima Champions).
Nos últimos dias, à medida que o jogo final se aproximou notei que era grande a festa que estava programada para esta partida. E não posso deixar de destacar a excelente organização que pudemos constatar. Houve de facto um esforço enorme para que fosse uma grande festa e que acima de tudo nenhum pormenor fosse deixado ao acaso. Fiquei surpreendido com o profissionalismo e minúcia. Ideias novas e arejadas benefeciaram em muito o espectáculo oferecido.
E esta organização não deixou grande coisa por fazer. Certamente que aqui a responsabilidade se reparte entre a Liga de Clubes (organizador) e a Carlsberg (patrocinador). Interessados em extrair grande proveito para todos os intervenientes a organização foi exemplar.
Medidas? Destaco algumas que captei. Umas mais importantes outras mais “mesquinhas” mas que um olhar atento repara e valoriza. Desde logo o investimento feito – certamente que a colaboração da estação oficial da prova, a RTP – na criação de um magazine a ir para o ar no final de todas as rondas. Ao melhor estilo da Liga dos Campeões. É certo que o conteúdo estava limitado aos espectáculos oferecidos (muitas vezes bastante pobres, como também indicam as fracas assistências), no entanto creio que a medida é de realçar.

Para a Final propriamente dita destaco a conferência de imprensa levada a cabo com a presença em simultâneo dos 2 treinadores. Uma medida que proporcionou trocas de palavras e um primeiro apalpar de pulsações e estados de espírito. E depois houveram pormenores que significaram que houve alguém a pensar no espectáculo. Desde a taça em si - desenhada pelo arquitecto Calatrava - passando pela equipa de apanha-bolas que era constituída exclusivamente por “top models” até ao detalhe de o tradicional sorteio da moeda ao ar ter sido feito com uma espécie de carica com a inscrição do patrocinador bem visível.
Contas feitas e após o balanço final à competição fiquei com a ideia que a Taça da Liga veio para ficar. Começou aos tropeções e com muitas críticas – muitas delas justas – mas acabou com uma nota altíssima no que à organização e promoção diz respeito. Com os devidos acertos ao modelo competitivo e um maior empenho dos clubes grandes – excepção feita ao Sporting – reúnem-se as condições para o surgimento de uma competição de muito interesse para o nosso calendário.
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