quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Australian Open – Roger Federer v Tomas Berdych – 04.29 – 07.56

Sábado foi um invulgar dia de trabalho para mim. Participei numa gala de entrega de troféus aos campeões nacionais de Automobilismo e Karting de 2008. Uma vez que já faço este trabalho desde há alguns anos já lhe conheço as rotinas. Uma das quais diz-me que, tendo em conta a hora tardia a que acaba, me é impossível chegar a casa a horas decentes. Sábado a história repetiu-se e acabei por chegar tardíssimo a casa.

Desde o tempo em que o trabalho assim me obrigava, ganhei 2 vícios que se repetem ano após ano. Acompanhar o mais de perto possível o Rally Dakar e o Australian Open (não in loco, infelizmente).

Voltando a Sábado, a primeira coisa que fiz quando cheguei a casa vindo da Gala foi ligar a televisão para assistir à prova tenística que se realiza em Melbourne. Já passavam das quatro da manhã e o jogo em causa não me despertou grande interesse. Assim sendo preparei-me para dormir. Eis senão quando:

04.29

Entram para a Rod Laver Arena Roger Federer e Tomas Berdych. Lado a lado para o seu encontro dos 1/8 final da prova. Automaticamente adiei o sono por mais um bocado.

No 1º e 2º sets assisti a um domínio avassalador de Berdych (inesperado confesso). Poucos erros não forçados, muitos winners, excelente movimentação, punhos permanentemente cerrados para a sua player box (é um hábito que me irrita solenemente de tão banalizado que se tem tornado) e uma confiança inabalável. Do outro lado Roger Federer parecia-me abandonado à sua miséria e pior que isso, resignado a sair pela porta dos fundos do torneio onde é considerado um dos 4 grandes favoritos à vitória final. Porém tudo isso estava prestes a mudar.

Sentia-se que era uma questão de tempo até que o jogo mudasse. Berdych não podia continuar a manter o nível como até ali, certamente. O problema é que o jogo já ia em 2-0 a favor do checo. Federer não tinha mais margem de manobra. Era vencer 3 sets seguidos ou arrumar as raquetas e ir para casa.

E foi precisamente no 3º set que o jogo mudou drasticamente. O natural começou a acontecer. Berdych baixou o rendimento drasticamente. Pagou a factura (bem elevada) do esforço que despendera até então e o suíço assumiu o jogo a partir daí. Assim que consumou a vitória no 3º set percebeu-se que o ex número 1 mundial estava de volta e que o seu jogo se ia impor de forma natural.

Por essa altura o sono já me tinha largado de vez. Apenas restou a adrenalina de ver uma exibição de luxo daí em diante. Ases, winners, movimentação em campo inimitável como que a deixar a ideia de que flutuava por cima do court e todo um arsenal de pancadas que deixou muitas vezes Tomas Berdych de língua de fora (literalmente).

Ao 3º set seguiu-se o 4º e o suíço voltou a não dar hipótese. Vitória incontestável. Ficava a questão: será que Berdych estava a guardar o resto de força que tinha para a “negra”? Se estava, rapidamente viu os seus intentos ruírem. Tal como nos 2 sets anteriores, Federer quebrou o seu serviço logo na 1ª partida. Estava lançado para concluir em beleza este encontro. O 5º set serviu uma vez mais para se assistir ao domínio do helvético e a toda a imensa facilidade que teve em desembaraçar-se do seu adversário assim que este esgotou a sua bonança inicial.

E foi assim que em quase 3 horas e meia se passou a madrugada. Valeu a pena pois claro.

As horas? Pois claro, cá vai. 07.56. Hora de ir dormir.

p.s. o jogo das 1/2 finais promete. Depois de Juan Martin del Potro, Andy Roddick é um excelente jogador e vai ser um osso muito duro de roer. É já esta madrugada. Excelente Verdasco. Conseguirá impor-se ao compatriota e super-favorito Rafa Nadal

VÍDEOS:

Roger Federer v Tomas Berdych

Roger Federer v Del Potro

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Mikhail Youzhny – Raiva Incontida

A fúria faz destas coisas… Mal por mal, antes partir uma raquete!




O mais giro é que acabou por resultar, pois o russo ainda conseguiu ganhar a partida. Fez-lhe bem a fúria.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Cristiano Ronaldo – A consagração do Melhor do Mundo…. E outras questões


Foi justo!

Tinha de vencer o CR7 para que existisse alguma justiça no que ao prémio de melhor jogador do mundo da época 2007/2008 diz respeito. Não podia ser de outra forma.

No entanto levanto apenas uma questão. Espero não ser polémico, apenas reparei num pormenor que me fez alguma impressão ao longo destes últimos tempos.

Sempre que se falava sobre quem iria receber a distinção (como se dela dependesse o futuro da Nação), existia a preocupação por parte dos dirigentes federativos, jogadores, treinadores e até do próprio jogador em afirmar que não podia haver outro resultado caso contrário estaríamos perante a “maior injustiça dos últimos tempos face ao que o jogador produziu na última época”. Não podia estar mais de acordo aliás.

Mas o que me fez confusão foi a especulação que sempre se foi ouvindo de que havia uma conspiração, um lobby fortíssimo, manobras de bastidores obscuras, etc… para que ganhasse um jogador oriundo de Espanha ou do seu campeonato (Xavi, Torres ou Messi). Segundo algumas opiniões que fui ouvindo estava-se a exercer imensa pressão por parte do dito lobby para que Cristiano Ronaldo não fosse coroado nº1. Malvados espanhóis a quererem tirar o brilho ao nosso CR7! Como se em Portugal se tivesse feito semelhante coisa. Nós – correctos e 100% honestos como somos - jamais seríamos capazes de fazer semelhante coisa. Apenas defendemos o Cristiano Ronaldo porque de facto ele foi o melhor. Seríamos incapazes de nos mover em campos que não os do simples mérito desportivo para eleger o nosso puto de ouro.

Certo? Não. Errado!

Vendo as votações dos diversos seleccionadores e capitães das selecções que votaram (sim, dei-me a esse trabalho) o que se pode ver?

Espanha (maléficos conspiradores):

Vicente del Bosque:

1º - Cristiano Ronaldo
2º - Lionel Messi
3º - Steven Gerrard

Casillas:

1º - Samuel Eto’o
2º - Steven Gerrard
3º - Lionel Messi

Argentina (país de Messi)

Diego Maradona:

1º - Cristiano Ronaldo
2º - Zlatan Ibrahimovic
3º - Adebayor

Javier Mascherano:

1º - Cristiano Ronaldo
2º - Fernando Torres
3º - Steven Gerrard

Brasil (país de Kaka)

Dunga:

1º - Crisitano Ronaldo
2º - Fernando Torres
3º - Andrei Arshavin

Lúcio:

1º - Cristiano Ronaldo
2º - Steven Gerrard
3º - Fernando Torres


Ou seja, independentemente do que “supostamente” estes malandros tenham feito por debaixo da mesa, o que é facto é que votaram esmagadoramente (a excepção é Iker Casillas) em Cristiano Ronaldo para melhor jogador do mundo. Sem espinhas.

Agora vejamos a votação dos portugueses. As supostas virgens imaculadas do processo e que nada fariam nos bastidores para beneficiar Cristiano Ronaldo:

Portugal:

Carlos Queirós:

1º - Xavi
2º - Kaka
3º - Zlatan Ibrahimovic

Nuno Gomes:

1º - van Nistelrooy
2º - Didier Drogba
3º - Samuel Eto’o

É de rir não é? E o mais giro é que tanto o capitão como o seleccionador nacional anunciaram que votavam desta forma apenas e só para não ajudarem os 2 adversários mais fortes de Ronaldo – Messi e Fernando Torres.

Somos ou não somos um verdadeiro espectáculo? Eles – os espanhóis e argentinos - é que politizam esta eleição, mas quem vota em van Nistelrooy e Drogba somos nós (até eles devem ter ficado admirados).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Benfica – Mais do mesmo (outra e outra vez)


Para quem tem visto os jogos do Benfica esta época com alguma neutralidade e sem estar embalado na propaganda que tem sido levada a cabo por toda a imprensa, facilmente constata que o que aconteceu nas últimas semanas de 2008 e no início de 2009 era expectável. E era-o sobretudo devido à fragilidade e fraca consistência que o Benfica tem vindo a apresentar ao longo dos 5 meses que esta época já leva.

Tirando o jogo com o Nápoles (2-0) na Luz, nenhum outro jogo do Benfica serviu para me convencer verdadeiramente da tão apregoada classe e supremacia que tem sido anunciada à boca grande. É certo que existiram outras vitórias importantes (Sporting, Paços Ferreira, Guimarães, Académica), mas, na verdade, foram vitórias que aconteceram sem que eu tivesse ficado devidamente convencido da sua justeza ou total merecimento. (bem sei que esta afirmação pode ser polémica, se quiserem poderei explicá-la melhor num outro post)

Fora o jogo que citei frente aos napolitanos o que temos visto é uma equipa cheia de debilidades, inseguranças, imaturidade, falta de estofo… enfim, um verdadeiro gigante com pés de barro. Bem sei que na Liga o Benfica dependa apenas de si (mas isso também o Porto, Sporting e Leixões) mas ou tudo muda radicalmente ou então veremos outra época igual a tantas outras. A receita vem sendo a mesma desde há muitos anos: começa-se a época anunciando uma equipa-maravilha que não dará hipóteses aos concorrentes directos, aos primeiros desaires tenta justificar-se com a falta de entrosamento/necessidade de adaptação dos jogadores, quando a coisa começa a ficar indisfarçável então o ponteiro muda para um inimigo externo (árbitros, sistema, etc…) e por fim acaba-se por deitar as culpas para cima do treinador e dos jogadores acusando-os de não honrarem as cores que representam nem estarem à altura dos pergaminhos (cada vez mais distantes) do clube da águia.

Outra coisa que me causa alguma aflição é a facilidade com que naquela casa aparece alguém a “pedir desculpas aos adeptos” aquando daquelas derrotas que verdadeiramente mancham a tal reputação tantas vezes referida. Ano após ano se assiste a meia dúzia daquelas exibições de meter dó. No final a receita também é já conhecida. Alguém responsável (treinador, director desportivo, presidente) surge com um tom irado pedindo desculpa à “Nação Benfiquista” e prometendo mudanças drásticas para todos os que não estiverem à altura das responsabilidades, ao mesmo tempo que os jogadores declaram que “se trabalharmos ao máximo no final do ano daremos uma alegria aos nossos sócios”, pedindo estes desculpas, pois claro. Vamos a exemplos? Só desta época. Contra o Galatasaray (2-0) surgiu essa primeira faceta. Equipa verdadeiramente destroçada por um adversário completamente desfalcado de alguns dos seus melhores jogadores. Ainda assim não era sinal de preocupação, afinal ainda faltavam 2 jogos para corrigir esse resultado anormal. Acontece é que no lugar de se reparar esse dano ainda houve tempo para embalar 5 na Grécia e, espanto dos espantos, perder em casa frente ao Metalist numa exibição completamente sofrível e vergonhosa. De todas as vezes foram prometidas inversões, alteração na postura da equipa, etc… etc… Afinal o campeonato estava a correr bem.

Mas aí é que está o problema. É que pode conseguir enganar-se alguém durante algum tempo, mas nunca todos durante o tempo todo. E foi então que o descalabro caseiro começou no seu esplendor. Eliminação da Taça – considerada normal (!!!); empate em casa com o Setúbal numa exibição pobre; empate com o Nacional – aí a culpa foi do árbitro, pois bem…. os 70 minutos de apatia total não são para aqui chamados e, por fim, a exibição na Trofa frente ao último classificado. E foi na Trofa que tudo rebentou. Quique irado, Rui Costa indignado, Presidente a exigir, adeptos a reclamar e os jogadores a pedirem compreensão e a fazerem juras de “levantar a cabeça e trabalhar ao máximo”. Confesso: Já não há paciência!

O mal do Benfica começa a meu ver nos seus adeptos e na sua fraca (nula?) cultura desportiva e entendimento da realidade que os rodeia. Deixam-se embarcar em sonhos quando mesmo adiante está a realidade que só não vê quem não quer ou não consegue. Exultam com resultados absolutamente miseráveis frente a adversários acessíveis e com exibições calamitosas. E depois, quando a realidade lhes cai esmagadora em cima culpam tudo e todos à sua volta. Parece que ouvem um estalar de dedos que os desperta da letargia que os fez aplaudir fanaticamente jogadores que são promessas – efectivamente – mas que no Benfica têm de mostrar muito mais do que até aqui. Enfim, instala-se a histeria completa.

Trata-se essencialmente de instalar uma cultura de exigência ao mais alto degrau. Só assim os jogadores e toda a estrutura pode sentir que há de facto uma obrigação e um dever para com o clube. Enquanto se refugiarem apenas em palavras e atitudes em altura de crise, os males que desde há anos afligem os encarnados nunca serão ultrapassados. É não sendo complacente com vitórias obtidas contra adversários frágeis pela margem mínima e depois de sofrimento brutal (Naval, Estrela, Paços Ferreira). Não adorar jogadores que por muito promissores que sejam pouco ou nada têm acrescentado ao clube – Di Maria à cabeça. A estes jovens é preciso exigir entrega, humildade (a rodos) e espírito de sacrifício. É que hoje em dia qualquer Di Maria, David Luiz ou Sidnei chega à luz e sente logo que é uma estrela de primeira linha e sem nada a provar. Se quer ser o primeiro entre os seus pares em Portugal é preciso ao Benfica mudar muita coisa. Não se deixar embalar por sonhos nem em ilusões assim que surgem 2 ou 3 vitórias. E acima de tudo ser exigente. Muito exigente.

Que sinal passa para os jogadores quando, após 3 jogos sem marcar um só golo, depois de serem eliminados sem ponta de dignidade da UEFA e da Taça, se atribui as maiores férias entre os 3 grandes na paragem de Natal? No mínimo devia fazer passar-se um sinal de insatisfação, de castigo, face a tão fraca prestação.

Por último algumas interrogações: será que o Makukula faria pior que os avançados que têm jogado esta época? Será que Léo não seria uma óptima solução agora que o balão de Jorge Ribeiro se está a esvaziar? Seria Freddy Adu tão fraco jogador que não merecesse uma oportunidade de continuar a evoluir neste plantel? Pior que Urreta e Balboa? Não me parece. Acho que é um excelente jogador (caso seja feita uma aposta correcta e adequada) e foi uma pena o que Chalana lhe fez na época passada após ter assumido o comando da equipa, riscando por completo e sistematicamente o promissor americano dos seus eleitos.