terça-feira, 14 de abril de 2009

Volta ao Alentejo – Uma Paixão


Foi uma semana de grande intensidade aquela que vivi no Alentejo, às voltas com a Alentejana pelo 2º ano consecutivo. O que me levou lá? Costumo ouvir dizer a alguns artistas ou por vezes a desportistas a seguinte frase: “Faço o que gosto e ainda por cima sou pago por isso”. Foi isso mesmo. Fiz o que gosto e ainda para mais recebi por isso. Foi o Gabinete de Imprensa que me fez voltar à Volta. Ajudar à organização da prova, no que ao facilitar a tarefa dos jornalistas presentes diz respeito. Mas a Volta ao Alentejo é muito mais que isso…

Chegado a Lisboa, é hora de retomar a realidade interrompida por uma semana. E como se consegue voltar ao ritmo da capital depois de uma semana quase principesca por terras alentejanas? Como habituar os olhos e os ouvidos à desordenação, ao caos, ao ruído, a toda a poluição que marca o dia-a-dia lisboeta? Tudo isso contrasta gritantemente com a acalmia que trazia comigo. O mar em Milfontes, a simpatia de Odemira, as planícies de Beja, a largura de Nisa, a beleza de Évora, o verde que por esta altura marca a paisagem Alentejana…

Na Volta ao Alentejo em Bicicleta vive-se muito mais do que uma prova de ciclismo; que no fundo é o que nos trás a todos àquela convivência. Não. Definitivamente a Alentejana não é só ciclismo. É isso e muito mais. É amizade, conversas longas pela noite fora, comes e bebes (mais estes que aqueles), tradição, gargalhadas, rever os amigos de muitos quilómetros calcorreados, liberdade (sim, liberdade para nos libertarmos das amarras do quotidiano durante aqueles dias), muitas noites perdidas, gargalhadas. Espera. Repeti gargalhadas? Não foi por acaso. De tanto rir e sorrir acho que acabei por ganhar mais umas quantas rugas para a posteridade.

“Próxima paragem, Alameda”. O Metro. Esse marco que assinala de forma inconfundível o retorno à minha vida. “Acorda! A Volta acabou.” Aqui a vida tem outro ritmo. Ou melhor, a vida aqui tem ritmo. Lá em baixo os dias pareceram passar como se fossem semanas ou meses. É incrível como, tendo estado fora por apenas 6 dias, me parece que estive fora 6 meses. A palavra certa? Intensidade.

Cheguei ao destino. Agora resta-me guardar todas as memórias que trouxe comigo naquela caixa vermelha onde outrora também guardei as da Volta a Portugal, do Dakar, do Moto GP… a caixa vermelha que na sua simplicidade não deixa adivinhar o seu conteúdo. É apenas e só isso. Uma caixa vermelha. “Que caixa tão feia”, dizem-me. Sorrio. Ninguém sabe o prazer que tenho de cada vez que a (re)abro.

“Vens com sotaque.”; Dizem-me, troçando do meu ligeiro arrastar de palavras.
“Com sotaque?”; pergunto incrédulo. “Mas foi só uma semana.”

É verdade, foi só uma semana. Daqui a outra o sotaque já se foi, tal como o prazer que tive por aí, que aos poucos se desvanece nas teias da memória. Após o interregno alentejano é altura de voltar às corridas diárias. Tal e qual um ciclista deslizando sem sobressaltos pelas planícies alentejanas. Já agora sem quedas, de preferência. Prefiro visitar o médico da prova apenas e só na sua tertúlia de Juromenha…(esta dava pano para mangas)

Um abraço a todos os Alentejanos (ou não) que vivem e fazem viver a Volta ao Alentejo. Obrigado por me fazerem sentir da vossa “família” uma semana por ano, nos últimos 2 anos.