João Vieira Pinto anunciou que para ele o futebol em Portugal terminou. Lá fora talvez, dependendo das condições propostas. Por cá chegou a hora de colocar o ponto final.Confesso… Sou e sempre fui um fã de João Pinto. E acho mesmo que poderia ter ficado ainda mais na história do futebol português. Daqui a 20 anos, os mais novos olharão para JVP com os mesmos olhos com que se olhará por exemplo para Sérgio Conceição, Domingos, Jorge Costa ou Sá Pinto. Na minha opinião poderia estar no mesmo patamar de Paulo Sousa, Luís Figo e Rui Costa.
Verdadeiro desequilibrador era capaz de momentos de génio ao nível dos grandes jogadores. Acontece que a saída necessária a essa projecção internacional acabou por nunca acontecer. Por motivos e circunstâncias diferentes foi sempre dando continuidade à sua carreira por cá. Jogador fantástico, nunca deixou ninguém indiferente. Os que o tinham amavam-no, os que o defrontavam detestavam-no. Incontornável.

Sempre mostrou também um génio único, por vezes descontrolado. Foi vítima de si próprio em algumas situações. A sua entrega e luta levaram-no por vezes a exceder-se quando menos devia. Várias expulsões no campeonato, o caso com Paulinho Santos (mais vítima que pecador no entanto), a suspensão após o EURO 2000 (aligeirada porém), e o caso mais grave – a agressão ao árbitro do Coreia do Sul v Portugal no Mundial de 2002. Como culminar acabou afastado sem qualquer justificação prévia da Selecção Nacional que representou por 81 vezes – a meu ver de forma errada, não se excluí de uma equipa que sempre representou com enorme dedicação alguém sem ao menos lhe explicar os porquês de tal decisão, nem que fosse em privado.

Prefiro recordar João Vieira Pinto como aquele pequeno irrequieto, capaz de momentos de absoluto êxtase. Recordo por exemplo a grande jogada que protagonizou num Portugal v Alemanha em 1997 como exemplo. Viveu momentos únicos como jogador – como herói e vilão. Golos soberbos, históricos até.
No final e como nota de registo fica uma frase que deixou na conferência de imprensa de despedida: “Ao longo dos anos dependi sempre de mim – nunca precisei de ninguém – e isso para mim é que é importante.”. Elucidativo
VÍDEOS:
Biografia de João Pinto no Biography Channel
3 comentários:
O nosso menino d'ouro!
Confesso que me deixaste algo saudosista.
Muito brinquei em relação a este cavalheiro.
Pessoas a atirarem-se para cima do seu carro, aquando de uma ameaça de saída para o Corunha, tendem a trazer ao de cima esse tipo de atitude.
O que é certo é que o que ficou foi o de melhor e um pouco do pior.
Lembro-me dos seu golos de cabeça ao primeiro poste.
O incontornável jogo em Alvalade.
Sei que foi um jogo que de muito se falou e continuará a falar.
No meu caso, foi um bocado o jogo que me "abriu os olhos" para o desporto que é o futebol. (O meu desabrochar para este vício ocorreu tarde, sim!)
O portento que ele era na selecção. Mesmo diminuto e numa fase em que pontas-de-lança em Portugal era um bicho raro, o JVP fazia bem a posição.
E claro, lembro-me dos arrufos.
Era capitão do Glorioso um pouco por falta de opções. Não seria certamente a escolha ideal.
As agressões e as brigas...
Pequeno brigão, sem dúvida.
Faz parte dos génios, suponho, o temperamento forte.
As pessoas vibravam demasiado com ele e fui um dos que achou bem a sua saída (não a forma como foi feita, atenção!).
Mas concordo contigo quando dizes que podia ter sido um dos grandes.
JVP, não foste grande lá fora, mas foste enorme cá dentro!!
...
Acho que vou chorar!...
e sim.....
o que nós no rimos à custa do episódio do carro e da conferência de imprensa aquando do anúncio da transferência para o Deportivo da Corunha.
Lembro-me de estar um repórter no estádio que às tantas estava a dizer que havia benfiquistas a parar o carro na zona do colombo e a atravessarem a 2ª circular a correr para impedir que a transferência fosse levada a cabo.
"O João é nosso!"
E tanto tentaram impedir, que o conseguiram!!
É a força da massa adepta do Benfica.
Claramente um motivo de orgulho.
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