Foi com alguma ansiedade que fomos esperando pela final da Taça de Portugal deste ano. Nela encontravam-se as 2 equipas mais fortes desta temporada (uma vez mais).
O Porto tinha atrás de si uma época de incontestável domínio, assente sobretudo na magnífica prestação no campeonato como também na actuação que teve a nível europeu - pese embora a inglória eliminação aos pés do Schalke 04.
Quanto ao Sporting, aparecia-nos com a hipótese de tornar a sua época numa época de certa forma ganhadora e positiva, juntando ao 2º lugar no campeonato a repetição de um título já conquistado na época transacta.
Favorito: o Porto. Apesar das 2 derrotas entretanto averbadas frente ao mesmíssimo adversário durante esta temporada. Ainda assim, a possibilidade que teve de preparar esta final com algum tempo de antecipação, permitia-lhe encará-la com mais frescura física dos seus principais jogadores. Ao Sporting era vaticinada uma tarefa bastante árdua para levar de vencida o seu opositor.
O jogo em si não foi - em minha opinião - muito bem jogado. Houve 2 equipas calculistas e com mais medo de sofrer do que propriamente preocupação em marcar. Essa tendência viria a acentuar-se ainda mais após a expulsão de João Paulo. Daí para a frente o Porto teve de optar por uma estratégia de oportunismo e contra-golpe. Mesmo perante uma estranha atitude de certa apatia dos leões.
Uma coisa que não pude deixar de estranhar foi a estranha forma como Jesualdo Ferreira montou a sua equipa para este desafio.
Porquê a ausência de Bosingwa? Não terá o Porto salvaguardado os seus interesses desportivos aquando do acordo de transferêcnia do lateral direito para o Chelsea? Bosingwa é uma figura de vulto do Porto deste ano. A sua ausência estranhou-se sobretudo nas faltas de acelerações vindas do corredor direito - como é habitual. Ainda para mais para o seu lugar foi chamado João Paulo. O Porto ficou a perder com esta troca e isso reflectiu-se muto no desenrolar da partida.
O outro equívoco? Para mim o principal... Mariano no lugar de Tarik. O marroquino foi peça-chave desta equipa durante praticamente todo o ano. Estranhei que tivesse desaparecido do onze inicial e que tivesse sido lançado para o jogo após o tento inaugural de Tíui, numa clara tentativa de conseguir sacar um coelho da cartola de última hora.
O Sporting acabou por ser um justo vencedor. Foi pragmático, percebeu que o Porto era (e é) melhor equipa e sobretudo soube sempre controlar as emoções por forma a nunca ser apanhado em contrapé nem desguarnecido. Acabou por ter a recompensa de uma forma um pouco controversa. E aí soube conservar essa vantagem preciosa e, inclusivé, ainda alargá-la.
Destaque para Paulo Bento e o óptimo trabalho que tem desenvolvido no Sporting. Creio que é um treinador de grande futuro e acima de tudo um excelente disciplinador de balneário (ver situação de Stojkovic e agora também de Vukcevic). Acho mesmo que são de louvar as 3 qualificações directas para a Liga dos Campeões e as 2 finais de Taça conquistadas. Por vezes tem sido contestado mas viu, sem dúvida, o seu capital de apoio bastante alargado após este final de época leonina.
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