
O ano que agora chega ao fim ficará na memória do Desporto em Espanha. Foi um ano épico para “nuestros hermanos”. Baseando-se no crescimento que se tem vindo a notar ano após ano, atingiu este ano resultados excepcionais e que mostram bem o investimento que é feito no lado de lá da fronteira.
Este crescimento mostrou ao mundo uma superpotência desportiva de excelência e que reflecte a pujança da sua economia e o vigor e mobilização da sua sociedade no geral.
A Espanha é cada vez mais respeitada pela sua capacidade a nível mundial. Esse crescimento tem sido acompanhado pelos resultados desportivos ao longo dos últimos anos. Fortemente incentivado pela realização dos Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona, o desporto espanhol não estagnou, antes avançou cada vez mais chegando neste ano de 2008 ao seu ano-maravilha.
Comecemos pelo Futebol. Se ao nível dos clubes o seu poderio é conhecido desde há muito, este ano viria a mostrar-nos uma Selecção que encantou os amantes do desporto-rei no Europeu da
Áustria-Suíça. Um futebol fantástico levou-os a uma conquista indiscutível e por todos reconhecida como justa. A equipa que sistematicamente era vista como a grande decepção em todas as grandes competições conseguiu desta feita deitar para trás esse estigma e conquistar o troféu, deitando para trás anos de desilusões sucessivas. Os nomes de Casillas, Sérgio Ramos, Iniesta, Xavi, David Villa e Fernando Torres foram aqueles que mais se destacaram.
Se ao nível do futebol a conquista do Europeu foi um facto de maior importância então que dizer do Ténis espanhol? Os espanhóis têm já grande tradição nesta modalidade – sobretudo na terra batida. E é na terra batida que ao longo dos anos foi afirmando a sua qualidade. Mas como não podia deixar de ser 2008 marcou a conquista de um patamar ainda mais elevado.
Começando por Rafael Nadal. O maiorquino foi absolutamente sublime neste ano, merecendo
todas as honras (na minha opinião é um sério candidato ao Laureus Award de 2008). De maior realce o facto de ter destronado o campeoníssimo Roger Federer do posto de nº 1 ao fim de mais de 3 anos. Para o conseguir teve de efectuar aquela que foi a melhor temporada da sua carreira. Semi-finalista na Austrália e nos Estados Unidos (Hard Court), venceu em Roland Garros (4ª vitória consecutiva) e conseguiu o maior feito de todos: derrotou Federer no seu “quintal” de Wimbledon. A cereja no topo do bolo foi colocada em Pequim com a conquista da medalha de ouro no torneio individual dos J.O.
Mas nem só de Nadal vive o ténis espanhol. Mesmo sem o seu representante supremo os espanhóis conseguiram arrebatar para si a Taça Davis num duelo fantástico em solo argentino, contra a equipa local. A Argentina tinha um recorde de invencibilidade em sua casa. Ainda para mais desfalcados do seu nº1 os espanhóis eram tudo menos favoritos. No entanto Fernando Verdasco, Feliciano Lopez e seus companheiros não se atemorizaram e trouxeram para casa o troféu maior do ténis mundial.

Ainda no que a desportos de massas diz respeito é também assinalável o sucesso espanhol no Ciclismo em 2008. Venceram as 3 (!!) grandes voltas – Giro, Tour e Vuelta – e ainda a prova dos Jogos em Pequim. Os heróis desta façanha: Carlos Sastre (Tour), Alberto Contador (Giro e Vuelta) e Sánchez (J.O.). Mas não se pense que eles são um caso único. Pois há muitos ciclistas
de topo no pelotão mundial. Em Portugal também podemos apreciar o poderio da Invencível Armada castelhana. David
Plaza, Hector Guerra e Xavier Tondo são aqueles que nos últimos anos têm dominado as estradas lusitanas.
Depois há os desportos de pavilhão onde os espanhóis também se destacaram.
No Basquetebol os actuais campeões do Mundo e finalistas vencidos do campeonato da Europa alcançaram a medalha de prata nos Jogos, apenas sucumbindo frente ao poderosíssimo Dream Team norte americano.
Em Andebol e Voleibol estamos já acostumados a assistir ao domínio dos seus clubes nas provas continentais (tal como em 2008) e ultimamente também se pode ver esse reflexo ao nível das selecções.
Por fim o Hóquei em Patins. Em 2008 mais um campeonato do Mundo se juntou ao palmarés de Espanha. Recordo que a selecção de Espanha tem sido sucessivamente campeã tanto do Mundo como da Europa. No Hóquei tal como nas outras modalidades o domínio não se fica na sua Selecção. Os seus clubes são também eles campeões continentais frequ
entemente.
Na NBA também se vai notando um crescimento na representatividade e também na qualidade dos interpretes espanhóis. Uma das grandes vedetas é hoje em dia Pau Gasol – só a sua chegada a L.A. permitiu a chegada à Final da competição e a afirmação definitiva dos Lakers. Mas não é o único. Jorge Garbajosa, José Calderon, Marc Gasol e alguns outros têm vindo a ganhar um lugar de destaque entre as estrelas do “maior espectáculo do Mundo”.
Suficiente? Ainda não. Mais exemplos? No Golfe foi um espanhol que conseguiu os melhores feitos do ano (desculpem mas não me lembro do nome – acho que é um tal de Molina). Em
desportos motorizados também tem sido recorrente ver o nome de pilotos castelhanos no lugar mais alto do pódio: Carlos Sainz nos Rallys de Todo o Terreno, Marc Coma e outros motards no Rally Dakar, Fernando Alonso na Fórmula 1, Daniel Pedrosa e Jorge Lorenzo em Moto GP. E pensem bem no que estes resultados traduzem ao nível de investimento e de patrocínios ao mais alto nível por parte das grandes marcas espanholas (Repsol, Motorola, Cepsa, entre muitas outras).
Reflexão:
Para terminar partilho apenas uma reflexão que me ocorre variadíssimas vezes quando vejo estas conquistas do desporto dos nossos vizinhos. Tento nessas alturas recordar o nível elevado de auto-estima colectiva que surge num momento desses. De cada vez que temos um Sérgio Paulinho, um Francis Obikwelu, um Nelson Évora ou uma Vanessa Fernandes todo o nosso país exulta de alegria (legitimamente, claro). Agora imaginem o que é assistir a todos estes feitos por parte dos seus desportistas por parte dos nossos vizinhos espanhóis. São feitos ao mais alto nível. Campeões de modalidades altamente competitivas e de propaganda mundial. E atenção, estamos a falar de um país com 45/50 milhões de habitantes, não de uma Rússia, China ou Estados Unidos.
Serve tudo isto para dizer que se há um capítulo que admiro o povo espanhol e o seu desenvolvimento recente é no capítulo desportivo. Porque entendo que o Desporto traduz muitas vezes o estado de desenvolvimento de um país – e como isso é verdade no caso de Espanha!. Creio mesmo que seria de todo o interesse que de certa forma pudéssemos copiar o seu modelo de desenvolvimento. Se bem que tenho presente as nossas limitações de nível financeiro e também cultural, onde o futebol é rei e senhor das nossas atenções.
Este crescimento mostrou ao mundo uma superpotência desportiva de excelência e que reflecte a pujança da sua economia e o vigor e mobilização da sua sociedade no geral.
A Espanha é cada vez mais respeitada pela sua capacidade a nível mundial. Esse crescimento tem sido acompanhado pelos resultados desportivos ao longo dos últimos anos. Fortemente incentivado pela realização dos Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona, o desporto espanhol não estagnou, antes avançou cada vez mais chegando neste ano de 2008 ao seu ano-maravilha.
Comecemos pelo Futebol. Se ao nível dos clubes o seu poderio é conhecido desde há muito, este ano viria a mostrar-nos uma Selecção que encantou os amantes do desporto-rei no Europeu da
Áustria-Suíça. Um futebol fantástico levou-os a uma conquista indiscutível e por todos reconhecida como justa. A equipa que sistematicamente era vista como a grande decepção em todas as grandes competições conseguiu desta feita deitar para trás esse estigma e conquistar o troféu, deitando para trás anos de desilusões sucessivas. Os nomes de Casillas, Sérgio Ramos, Iniesta, Xavi, David Villa e Fernando Torres foram aqueles que mais se destacaram.Se ao nível do futebol a conquista do Europeu foi um facto de maior importância então que dizer do Ténis espanhol? Os espanhóis têm já grande tradição nesta modalidade – sobretudo na terra batida. E é na terra batida que ao longo dos anos foi afirmando a sua qualidade. Mas como não podia deixar de ser 2008 marcou a conquista de um patamar ainda mais elevado.
Começando por Rafael Nadal. O maiorquino foi absolutamente sublime neste ano, merecendo
todas as honras (na minha opinião é um sério candidato ao Laureus Award de 2008). De maior realce o facto de ter destronado o campeoníssimo Roger Federer do posto de nº 1 ao fim de mais de 3 anos. Para o conseguir teve de efectuar aquela que foi a melhor temporada da sua carreira. Semi-finalista na Austrália e nos Estados Unidos (Hard Court), venceu em Roland Garros (4ª vitória consecutiva) e conseguiu o maior feito de todos: derrotou Federer no seu “quintal” de Wimbledon. A cereja no topo do bolo foi colocada em Pequim com a conquista da medalha de ouro no torneio individual dos J.O.Mas nem só de Nadal vive o ténis espanhol. Mesmo sem o seu representante supremo os espanhóis conseguiram arrebatar para si a Taça Davis num duelo fantástico em solo argentino, contra a equipa local. A Argentina tinha um recorde de invencibilidade em sua casa. Ainda para mais desfalcados do seu nº1 os espanhóis eram tudo menos favoritos. No entanto Fernando Verdasco, Feliciano Lopez e seus companheiros não se atemorizaram e trouxeram para casa o troféu maior do ténis mundial.

Ainda no que a desportos de massas diz respeito é também assinalável o sucesso espanhol no Ciclismo em 2008. Venceram as 3 (!!) grandes voltas – Giro, Tour e Vuelta – e ainda a prova dos Jogos em Pequim. Os heróis desta façanha: Carlos Sastre (Tour), Alberto Contador (Giro e Vuelta) e Sánchez (J.O.). Mas não se pense que eles são um caso único. Pois há muitos ciclistas
de topo no pelotão mundial. Em Portugal também podemos apreciar o poderio da Invencível Armada castelhana. David
Plaza, Hector Guerra e Xavier Tondo são aqueles que nos últimos anos têm dominado as estradas lusitanas.Depois há os desportos de pavilhão onde os espanhóis também se destacaram.
No Basquetebol os actuais campeões do Mundo e finalistas vencidos do campeonato da Europa alcançaram a medalha de prata nos Jogos, apenas sucumbindo frente ao poderosíssimo Dream Team norte americano.
Em Andebol e Voleibol estamos já acostumados a assistir ao domínio dos seus clubes nas provas continentais (tal como em 2008) e ultimamente também se pode ver esse reflexo ao nível das selecções.
Por fim o Hóquei em Patins. Em 2008 mais um campeonato do Mundo se juntou ao palmarés de Espanha. Recordo que a selecção de Espanha tem sido sucessivamente campeã tanto do Mundo como da Europa. No Hóquei tal como nas outras modalidades o domínio não se fica na sua Selecção. Os seus clubes são também eles campeões continentais frequ
entemente.Na NBA também se vai notando um crescimento na representatividade e também na qualidade dos interpretes espanhóis. Uma das grandes vedetas é hoje em dia Pau Gasol – só a sua chegada a L.A. permitiu a chegada à Final da competição e a afirmação definitiva dos Lakers. Mas não é o único. Jorge Garbajosa, José Calderon, Marc Gasol e alguns outros têm vindo a ganhar um lugar de destaque entre as estrelas do “maior espectáculo do Mundo”.
Suficiente? Ainda não. Mais exemplos? No Golfe foi um espanhol que conseguiu os melhores feitos do ano (desculpem mas não me lembro do nome – acho que é um tal de Molina). Em
desportos motorizados também tem sido recorrente ver o nome de pilotos castelhanos no lugar mais alto do pódio: Carlos Sainz nos Rallys de Todo o Terreno, Marc Coma e outros motards no Rally Dakar, Fernando Alonso na Fórmula 1, Daniel Pedrosa e Jorge Lorenzo em Moto GP. E pensem bem no que estes resultados traduzem ao nível de investimento e de patrocínios ao mais alto nível por parte das grandes marcas espanholas (Repsol, Motorola, Cepsa, entre muitas outras).Reflexão:
Para terminar partilho apenas uma reflexão que me ocorre variadíssimas vezes quando vejo estas conquistas do desporto dos nossos vizinhos. Tento nessas alturas recordar o nível elevado de auto-estima colectiva que surge num momento desses. De cada vez que temos um Sérgio Paulinho, um Francis Obikwelu, um Nelson Évora ou uma Vanessa Fernandes todo o nosso país exulta de alegria (legitimamente, claro). Agora imaginem o que é assistir a todos estes feitos por parte dos seus desportistas por parte dos nossos vizinhos espanhóis. São feitos ao mais alto nível. Campeões de modalidades altamente competitivas e de propaganda mundial. E atenção, estamos a falar de um país com 45/50 milhões de habitantes, não de uma Rússia, China ou Estados Unidos.
Serve tudo isto para dizer que se há um capítulo que admiro o povo espanhol e o seu desenvolvimento recente é no capítulo desportivo. Porque entendo que o Desporto traduz muitas vezes o estado de desenvolvimento de um país – e como isso é verdade no caso de Espanha!. Creio mesmo que seria de todo o interesse que de certa forma pudéssemos copiar o seu modelo de desenvolvimento. Se bem que tenho presente as nossas limitações de nível financeiro e também cultural, onde o futebol é rei e senhor das nossas atenções.
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