segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Sporting - 3 v Benfica – 2 – 21.02.2009 – Incontestável Vitória Leonina

Enquadramento

No Sábado desloquei-me ao Estádio de Alvalade para assistir ao derby maior e mais tradicional do futebol português. A expectativa era grande até porque do seu resultado dependia em grande parte o futuro dos 2 grandes de Lisboa neste campeonato. Se bem que à partida era sobretudo decisivo para os leões, para o Benfica a importância não era menor tendo em conta o dilatar da vantagem do Porto na liderança.

Para o jogo a grande surpresa veio do lado leonino. Pedro Silva no lugar de Abel foi uma surpresa que teve a melhor resposta por parte do lateral direito brasileiro. Foi muito activo durante todo o encontro e conseguiu levar facilmente a melhor sobre uma das principais referências encarnadas: José António Reyes.

O Jogo

A partida ficou marcada a meu ver pela incapacidade do Benfica em se apresentar de forma concentrada e modesta perante o seu oponente. É claro que do outro lado o mérito é também muito grande. O Sporting conseguiu, sobretudo na 2ª parte, esmagar absolutamente o Benfica. Através de uma dinâmica e de um querer que nunca teve oposição digna por parte do seu eterno rival.

O começo do jogo ficou marcado por um erro de David Luiz logo aos 10 minutos. Num lance completamente inofensivo procurou fintar Liedson em vez de fazer o mais lógico, isto é, o atraso para Moreira. Como se sabe, Liedson não é jogador de virar a cara à luta e muito menos de desistir de qualquer lance. Dessa jogada nasceu o canto que viria a resultar no golo inaugural – aliás um golão por parte do inevitável 31.

O resto da segunda parte foi de domínio benfiquista. Esse domínio teve o apogeu aquando do empate por parte de Reyes. Mesmo sem jogar muito, o Benfica conseguiu limitar em muito a acção do Sporting e chegou justamente ao empate.

Ainda na primeira parte houve um momento que a meu ver foi determinante; quando Derlei rendeu o lesionado Hélder Postiga na frente de ataque comentei com o meu parceiro de bancada que aquela alteração podia vir a ser marcante no jogo sobretudo pelo Efeito-Derlei. E foi. E de que maneira. Juntando-se a Liedson na frente de ataque, Derlei foi incansável na sua luta permanente para arranjar espaços e para procurar importunar sempre o adversário, conseguindo imensos desarmes e roubos de bola. Neste aspecto é totalmente diferente de Hélder Postiga, que é um jogador mais estático e de menos entrega ao jogo.

Ao intervalo, com o jogo empatado, achei que a melhor estratégia por parte de Quique Flores passaria por alterar Yebda (já com um amarelo) por Di Maria, passando Ruben Amorim para o lugar do francês. Aliás o ex-Belenenses foi na minha opinião determinante no jogo anterior frente ao Paços de Ferreira. Não só pelo golo que marcou mas também pela clarividência que trouxe consigo para o miolo do terreno. Com essa alteração penso que Quique Flores enviaria um sinal claro para o seu oponente e também para os seus jogadores. Tal não aconteceu (ou melhor, viria a acontecer com o placard já em 2-1) e a entrada do Sporting na 2ª parte não podia ser melhor…

2 minutos decorridos e já Derlei facturava o 2º golo após um excelente passe de Anderson Polga e (mais) um erro da defesa do Benfica, sobretudo de Sidnei e David Luiz.

Daí para a frente o domínio verde-e-branco foi avassalador. Bolas no poste, pressão constante, ataques sucessivos, bolas salvas sobre a linha, defesa do Benfica em permanente alvoroço (sobretudo David Luiz) e o natural e justíssimo 3-1 a concluir uma jogada brilhante de Bruno Pereirinha, embalado vindo de trás e depois de ultrapassar facilmente David Luiz (quem mais poderia ser?) e de sentar Sidnei.

Até ao final da partida apenas destaco o golo de Cardozo, em mais um sinal de qualidade e inconformismo do paraguaio.

Impressões Finais

O Sporting foi o vencedor mais que justo neste derby. Mostrou ambição e não vacilou num jogo que era, acima de tudo, um teste para os comandados de Paulo Bento. Para a semana o luta pela sobrevivência tem mais um capítulo decisivo na visita ao Estádio do Dragão.
Quanto ao Benfica fica a imagem de uma equipa completamente desgarrada e sem um plano B para as contingências da partida. Apostou num esquema que privilegiava o contra-ataque e o enervar do seu adversário. Não resultou – sobretudo devido aos erros individuais e de concentração colectiva – e não se viu a mínima capacidade de reacção. É impressionante ver como a equipa entrou tão mal na primeira parte e, sobretudo, como vinda do intervalo com um empate moralizador, reentrou completamente com a cabeça fora do jogo, pagando a factura por tamanha desconcentração.

Os Jogadores

Sporting

Já referi a excelente impressão que me deixou Pedro Silva. Foi incansável e conseguiu sempre levar a melhor sobre quem pisou a sua área de referência. Anderson Polga também me impressionou pela positiva. Embora tenha cometido um penalti escusado, efectuou uma exibição de grande classe e autoridade. Também gostei bastante de Izmailov. Foi sempre incansável no ataque e na defesa, conseguindo abrir imensas brechas na defesa encarnada. Bruno Pereirinha voltou a conseguir entrar da melhor maneira possível, fabricando o 3º golo após jogada notável e ainda enviando uma bola ao poste. Finalmente os 2 jogadores mais decisivos – Derlei e Liedson. O Ninja pelo que já enunciei acima. Quanto ao Levezinho que mais se pode dizer? É simplesmente brilhante. Quem vê um jogo do 31 ao vivo não pode ficar indiferente. A mim impressiona-me sobretudo pela sua entrega permanente ao jogo e à sua luta incansável atrás da bola – esteja ela nos pés dos seus colegas ou dos defesas contrários. E depois aquela qualidade a finalizar que revela um instinto matador quase único nos últimos anos em Portugal. Tiro-lhe o meu chapéu.

Benfica

Nos encarnados não tenho grandes destaques individuais a fazer. Maxi Pereira voltou a ser competente, dando luta permanente aos adversários contrários e ainda arranjando fôlego para cruzar para o 2º golo. Sobre David Luiz já ficou tudo dito - foi um exibição absolutamente desastrada mas, acima de tudo, displicente por parte do jovem brasileiro. de Reyes, Aimar e Suazo pouco se viu. Sobra Yebda. No tempo em que esteve em campo cumpriu a sua função, mormente quando ganhou o lance de cabeça que viria a resultar no penalti. Questões de ordem disciplinar e uma vontade de arriscar ditaram que a sua substituição tivesse acontecido muito cedo.


NOTAS

Porque é que o Benfica é sempre a última equipa a entrar em campo? Seja para o aquecimento ou para a 2ª parte. Pode não indicar nada, mas o que é facto é que ontem se revelou determinante sobretudo se tivermos em conta a forma desastrada como reiniciou a partida após o intervalo;

Gostei de ver o abraço de joelhos entre Daniel Carriço, Rochemback, João Moutinho e Pedro Silva aquando dos 2º e 3ºs golos do Sporting. Espontâneo e sintomático da alegria e união que sentiam na altura;

Monumental azia de Carlos Martins por não ter sido utilizado no campo da equipa onde se formou. Notava-se bem no rosto do médio-centro do Benfica.


Original Video- More videos at TinyPic

Sem comentários: