terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Rafael Nadal v Roger Federer – Final Australian Open 2009

Rafael Nadal, nº1 do Mundo vs Roger Federer, nº2. Era a final esperada. Pela 7ª vez estes 2 tenistas iriam defrontar-se numa final de um Grand Slam. No entanto havia uma particularidade que tornava este encontro diferente de todas as grandes finais até então disputadas: a superfície era em hard-court (nas outras 6 finais anteriores 3 realizaram-se em terra batida e outras tantas em relva).
À partida o suíço era o principal favorito a levar de vencida a final australiana. Por vários motivos. Porque liderava o historial de encontros em hard court entre os dois (por 3-2), porque Nadal havia jogado uma semi-final dois dias antes de 5.14 horas (!!) ao passo que Federer teve 3 dias de descanso depois de uma semi-final bem tranquila frente a Andy Roddick, porque Federer já havia ganho 3 Australian Open anteriormente e finalmente por ser a estreia de Nadal naquela final. A juntar a tudo isso estava também o facto de Federer se vir exibindo em grande nível – tal como Nadal.

Foi uma excelente final. Como já vem sendo hábito ao longo das últimas 4 temporadas. Quando estes 2 jogadores se encontram temos espectáculo pela certa. E mais uma vez foi isso mesmo que se pôde assistir na Rod Laver Arena. Uma luta mano a mano em que no final o mais forte acabou por prevalecer – muito justamente.

E porquê? Na minha opinião acabou por ser determinante o factor psicológico que sempre está presente numa partida de ténis – particularmente nos encontros entre os nºs 1 e 2 mundial. E aqui o prato da balança cai sem quaisquer dúvidas para o lado de Nadal. Tenho para mim que Federer é indubitavelmente o melhor tenista de sempre. Muito melhor mesmo que Rafael Nadal. Acontece que o espanhol consegue sempre aplicar as suas melhores armas contra o suíço ao passo que Federer parece baquear completamente quando tem do outro lado da rede o actual líder do ranking masculino.

Quando era novo tinha um treinador que costumava dizer à nossa equipa que, quando há um derby entre dois adversários que muito bem se conhecem e temem, geralmente a melhor equipa baixa ligeiramente de produção ao passo que a equipa que está um pouco abaixo consegue o efeito inverso.
Serve este desvio para fazer um paralelismo entre a frase que fixei em novo e os encontros entre estas duas verdadeiras lendas do ténis mundial.

Federer é melhor tenista que Nadal. Contudo o espanhol tem um enorme ascendente nos encontros entre os 2. E quanto mais importantes são (como é o caso das finais de Grand Slam) mais se nota esse ascendente. Nas 7 finais que disputaram entre si foi sempre Nadal quem conseguiu superar as expectativas enquanto que Federer ficou sempre abaixo do esperado - mesmo nas 2 vezes em que venceu em Wimbledon nunca conseguiu ser esmagador.

E onde esteve presente este efeito psicológico na final do último Domingo? Onde havia estado nos últimos encontros entre ambos. Nem sequer há um factor diferente. A história repete-se:

- Break points uns atrás dos outros desperdiçados pelo suíço ao passo que o espanhol aproveita praticamente todas as oportunidades de que dispõe para quebrar o serviço ao adversário; e geralmente à primeira oportunidade. (usar estatísticas)
- Incapacidade de Federer em expor o seu jogo, em dominar o adversário, em colocar ao seu serviço as melhores armas que dispõe – neste aspecto é absolutamente incompreensível como é que Federer NUNCA usa uma das suas principais armas, o slice de esquerda soberbo que sempre usa para manietar os seus oponentes e retirar-lhes agressividade.
- O desmoronar de Federer quando Nadal consegue uma supremacia, por muito ligeira que seja, que se traduz numa linguagem corporal completamente desesperada e em soluções precipitadas.

Mas atenção. Nadal tem muito mérito em tudo isto. Todos sabem que sou um grande apreciador de Federer mas no entanto o espanhol, nº1 do mundo, tem todo o mérito nas conquistas que vem tendo. O seu jogo não me delicia na mesma proporção, é certo, mas ninguém pode negar que tudo o que tem conseguido é absolutamente justo.

Por fim destaco toda a cerimónia de entrega prémios aos finalistas. Foi repleta de emoção (podem vê-la no post anterior a este) e mostrou dois verdadeiros desportistas que se respeitam muito e que são, acima de mais, seres humanos de 27 e 22 anos.



3 comentários:

Anónimo disse...

Tenho uma sugestão para um novo título...

Adoração a Federer!

Que tal?

Pedro disse...

É natural que quando os melhores se sucedem nos palcos mais altos é natural que se lhes dê mais destaque.

Ainda assim reconheço que no que toca ao Federer sou um tanto ou quanto parcial

Anónimo disse...

Tanto ou quanto?

Quem quase chora pela derrota do Federer diria que és bastante parcial.