
Em 2006 estive presente pela primeira vez no Estoril Open. Foi a primeira vez que vi ténis “a sério” ao vivo. Fiquei maravilhado com a execução técnica dos praticantes e sobretudo com o ambiente que envolvia o torneio. Se já era grande fã de ténis, desde então não perco uma oportunidade para, ano após ano, me deslocar ao Jamor para pelo menos assistir a uma tarde de muito e bom ténis.
E foram muitos os (bons) jogadores que já tive oportunidade de ver: Carlos Moya, Tommy Robredo, Igor Andreev, Richard Gasquet, Maria Kirilenko, Flavia Pennetta, Nikolai Davydenko, Novak Djokovic, Roger Federer, entre muitos outros.
Voltando a 2006 recordo bem qual era o prato principal para essa tarde tenística; Frederico Gil v David Nalbandian. Todos sabiam que o argentino de Córdoba era o grande favorito. Na altura era ainda um dos jogadores de topo do circuito mundial (confirmou-o com uma vitória na final desse ano) e apresentava um ténis absolutamente superior ao do jovem luso. Desde a pancada e a sua brilhante execução, até à linguagem corporal altamente positiva e nada nervosa… enfim… superioridade total.
Daí que não tenha sido surpreendente ver um jogo rápido e decidido desde início. Embora tivesse o público completamente do seu lado, o jovem Gil não teve argumentos para beliscar o seu oponente dessa tarde. Resultado final: vitória por 6-1 e 6-2.
Na altura não fiquei com a ideia de que Frederico Gil pudesse chegar longe no ténis mundial. Contudo, durante a temporada de 2008, Gil conseguiu trepar vários lugares no ranking ATP. Participou em 3 (de 4) torneios de Grand Slam, tendo sido eliminado em todos eles pelo mesmo jogador – o francês Jeremy Chardy -; facto único na história do ténis, Com algumas vitórias em Challenges pelo meio, Gil tem conseguiu escalar imenso o ranking atingindo entretanto o 86º lugar do ranking masculino – igualando o feito de Nuno Marques.
Se 2008 foi um ano de afirmação e de mostra de grande qualidade, 2009 não lhe tem ficando atrás. Conseguiu em 2 semanas consecutivas, duas presenças em meias-finais de torneios do circuito principal – Joanesburgo e Costa do Sauípe. Na primeira foi derrotado pelo “monstro” Tsonga, no torneio brasileiro só sucumbiu às mãos do também brasileiro Thomas Bellucci (por duplo 7-6).
É pois com toda a justiça que ocupa esta semana a melhor classificação de um tenista luso na história do ténis – um honroso 83º lugar.
De notar também que quanto melhor for o ranking do português mais serão as facilidades de conseguir entradas directas nos torneios de maior prestígio. Tenho por isso esperança que Frederico Gil consiga permanecer durante algum tempo no top 100 mundial. Quiçá aproximar-se um pouco mais dos lugares cimeiros, conseguindo mesmo um lugar nos 50 melhores do mundo. Vamos esperar, aplaudindo e incentivando pelo caminho o melhor tenista português de sempre.
P.S. para além de Frederico Gil também Rui Machado e Neusa Silva têm conseguido alguns resultados de realce. Machado conseguiu inclusive uma presença na 2ª ronda do U.S. Open do ano passado, sendo apenas derrotado por Fernando Verdasco num excelente jogo que se disputou em 5 sets. Isto enquanto aguardamos pela confirmação do talento que todos prevêem à jovem Michelle Brito.
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