
Para quem tem visto os jogos do Benfica esta época com alguma neutralidade e sem estar embalado na propaganda que tem sido levada a cabo por toda a imprensa, facilmente constata que o que aconteceu nas últimas semanas de 2008 e no início de 2009 era expectável. E era-o sobretudo devido à fragilidade e fraca consistência que o Benfica tem vindo a apresentar ao longo dos 5 meses que esta época já leva.
Tirando o jogo com o Nápoles (2-0) na Luz, nenhum outro jogo do Benfica serviu para me convencer verdadeiramente da tão apregoada classe e supremacia que tem sido anunciada à boca grande. É certo que existiram outras vitórias importantes (Sporting, Paços Ferreira, Guimarães, Académica), mas, na verdade, foram vitórias que aconteceram sem que eu tivesse ficado devidamente convencido da sua justeza ou total merecimento. (bem sei que esta afirmação pode ser polémica, se quiserem poderei explicá-la melhor num outro post)
Fora o jogo que citei frente aos napolitanos o que temos visto é uma equipa cheia de debilidades, inseguranças, imaturidade, falta de estofo… enfim, um verdadeiro gigante com pés de barro. Bem sei que na Liga o Benfica dependa apenas de si (mas isso também o Porto, Sporting e Leixões) mas ou tudo muda radicalmente ou então veremos outra época igual a tantas outras. A receita vem sendo a mesma desde há muitos anos: começa-se a época anunciando uma equipa-maravilha que não dará hipóteses aos concorrentes directos, aos primeiros desaires tenta justificar-se com a falta de entrosamento/necessidade de adaptação dos jogadores, quando a coisa começa a ficar indisfarçável então o ponteiro muda para um inimigo externo (árbitros, sistema, etc…) e por fim acaba-se por deitar as culpas para cima do treinador e dos jogadores acusando-os de não honrarem as cores que representam nem estarem à altura dos pergaminhos (cada vez mais distantes) do clube da águia.
Outra coisa que me causa alguma aflição é a facilidade com que naquela casa aparece alguém a
“pedir desculpas aos adeptos” aquando daquelas derrotas que verdadeiramente mancham a tal reputação tantas vezes referida. Ano após ano se assiste a meia dúzia daquelas exibições de meter dó. No final a receita também é já conhecida. Alguém responsável (treinador, director desportivo, presidente) surge com um tom irado pedindo desculpa à “Nação Benfiquista” e prometendo mudanças drásticas para todos os que não estiverem à altura das responsabilidades, ao mesmo tempo que os jogadores declaram que “se trabalharmos ao máximo no final do ano daremos uma alegria aos nossos sócios”, pedindo estes desculpas, pois claro. Vamos a exemplos? Só desta época. Contra o Galatasaray (2-0) surgiu essa primeira faceta. Equipa verdadeiramente destroçada por um adversário completamente desfalcado de alguns dos seus melhores jogadores. Ainda assim não era sinal de preocupação, afinal ainda faltavam 2 jogos para corrigir esse resultado anormal. Acontece é que no lugar de se reparar esse dano ainda houve tempo para embalar 5 na Grécia e, espanto dos espantos, perder em casa frente ao Metalist numa exibição completamente sofrível e vergonhosa. De todas as vezes foram prometidas inversões, alteração na postura da equipa, etc… etc… Afinal o campeonato estava a correr bem.
Mas aí é que está o problema. É que pode conseguir enganar-se alguém durante algum tempo, mas nunca todos durante o tempo todo. E foi então que o descalabro caseiro começou no seu esplendor. Eliminação da Taça – considerada normal (!!!); empate em casa com o Setúbal numa exibição pobre; empate com o Nacional – aí a culpa foi do árbitro, pois bem…. os 70 minutos de apatia total não são para aqui chamados e, por fim, a exibição na Trofa frente ao último classificado. E foi na Trofa que tudo rebentou. Quique irado, Rui Costa indignado, Presidente a exigir, adeptos a reclamar e os jogadores a pedirem compreensão e a fazerem juras de “levantar a cabeça e trabalhar ao máximo”. Confesso: Já não há paciência!
O mal do Benfica começa a meu ver nos seus adeptos e na sua fraca (nula?) cultura desportiva e entendimento da realidade que os rodeia. Deixam-se embarcar em sonhos quando mesmo adiante está a realidade que só não vê quem não quer ou não consegue. Exultam com resultados
absolutamente miseráveis frente a adversários acessíveis e com exibições calamitosas. E depois, quando a realidade lhes cai esmagadora em cima culpam tudo e todos à sua volta. Parece que ouvem um estalar de dedos que os desperta da letargia que os fez aplaudir fanaticamente jogadores que são promessas – efectivamente – mas que no Benfica têm de mostrar muito mais do que até aqui. Enfim, instala-se a histeria completa.
Trata-se essencialmente de instalar uma cultura de exigência ao mais alto degrau. Só assim os jogadores e toda a estrutura pode sentir que há de facto uma obrigação e um dever para com o clube. Enquanto se refugiarem apenas em palavras e atitudes em altura de crise, os males que desde há anos afligem os encarnados nunca serão ultrapassados. É não sendo complacente com vitórias obtidas contra adversários frágeis pela margem mínima e depois de sofrimento brutal (Naval, Estrela, Paços Ferreira). Não adorar jogadores que por muito promissores que sejam pouco ou nada têm acrescentado ao clube – Di Maria à cabeça. A estes jovens é preciso exigir entrega, humildade (a rodos) e espírito de sacrifício. É que hoje em dia qualquer Di Maria, David Luiz ou Sidnei chega à luz e sente logo que é uma estrela de primeira linha e sem nada a provar. Se quer ser o primeiro entre os seus pares em Portugal é preciso ao Benfica mudar muita coisa. Não se deixar embalar por sonhos nem em ilusões assim que surgem 2 ou 3 vitórias. E acima de tudo ser exigente. Muito exigente.
Que sinal passa para os jogadores quando, após 3 jogos sem marcar um só golo, depois de serem eliminados sem ponta de dignidade da UEFA e da Taça, se atribui as maiores férias entre os 3 grandes na paragem de Natal? No mínimo devia fazer passar-se um sinal de insatisfação, de castigo, face a tão fraca prestação.
Por último algumas interrogações: será que o Makukula faria pior que os avançados que têm
jogado esta época? Será que Léo não seria uma óptima solução agora que o balão de Jorge Ribeiro se está a esvaziar? Seria Freddy Adu tão fraco jogador que não merecesse uma oportunidade de continuar a evoluir neste plantel? Pior que Urreta e Balboa? Não me parece. Acho que é um excelente jogador (caso seja feita uma aposta correcta e adequada) e foi uma pena o que Chalana lhe fez na época passada após ter assumido o comando da equipa, riscando por completo e sistematicamente o promissor americano dos seus eleitos.
Tirando o jogo com o Nápoles (2-0) na Luz, nenhum outro jogo do Benfica serviu para me convencer verdadeiramente da tão apregoada classe e supremacia que tem sido anunciada à boca grande. É certo que existiram outras vitórias importantes (Sporting, Paços Ferreira, Guimarães, Académica), mas, na verdade, foram vitórias que aconteceram sem que eu tivesse ficado devidamente convencido da sua justeza ou total merecimento. (bem sei que esta afirmação pode ser polémica, se quiserem poderei explicá-la melhor num outro post)
Fora o jogo que citei frente aos napolitanos o que temos visto é uma equipa cheia de debilidades, inseguranças, imaturidade, falta de estofo… enfim, um verdadeiro gigante com pés de barro. Bem sei que na Liga o Benfica dependa apenas de si (mas isso também o Porto, Sporting e Leixões) mas ou tudo muda radicalmente ou então veremos outra época igual a tantas outras. A receita vem sendo a mesma desde há muitos anos: começa-se a época anunciando uma equipa-maravilha que não dará hipóteses aos concorrentes directos, aos primeiros desaires tenta justificar-se com a falta de entrosamento/necessidade de adaptação dos jogadores, quando a coisa começa a ficar indisfarçável então o ponteiro muda para um inimigo externo (árbitros, sistema, etc…) e por fim acaba-se por deitar as culpas para cima do treinador e dos jogadores acusando-os de não honrarem as cores que representam nem estarem à altura dos pergaminhos (cada vez mais distantes) do clube da águia.
Outra coisa que me causa alguma aflição é a facilidade com que naquela casa aparece alguém a
“pedir desculpas aos adeptos” aquando daquelas derrotas que verdadeiramente mancham a tal reputação tantas vezes referida. Ano após ano se assiste a meia dúzia daquelas exibições de meter dó. No final a receita também é já conhecida. Alguém responsável (treinador, director desportivo, presidente) surge com um tom irado pedindo desculpa à “Nação Benfiquista” e prometendo mudanças drásticas para todos os que não estiverem à altura das responsabilidades, ao mesmo tempo que os jogadores declaram que “se trabalharmos ao máximo no final do ano daremos uma alegria aos nossos sócios”, pedindo estes desculpas, pois claro. Vamos a exemplos? Só desta época. Contra o Galatasaray (2-0) surgiu essa primeira faceta. Equipa verdadeiramente destroçada por um adversário completamente desfalcado de alguns dos seus melhores jogadores. Ainda assim não era sinal de preocupação, afinal ainda faltavam 2 jogos para corrigir esse resultado anormal. Acontece é que no lugar de se reparar esse dano ainda houve tempo para embalar 5 na Grécia e, espanto dos espantos, perder em casa frente ao Metalist numa exibição completamente sofrível e vergonhosa. De todas as vezes foram prometidas inversões, alteração na postura da equipa, etc… etc… Afinal o campeonato estava a correr bem.Mas aí é que está o problema. É que pode conseguir enganar-se alguém durante algum tempo, mas nunca todos durante o tempo todo. E foi então que o descalabro caseiro começou no seu esplendor. Eliminação da Taça – considerada normal (!!!); empate em casa com o Setúbal numa exibição pobre; empate com o Nacional – aí a culpa foi do árbitro, pois bem…. os 70 minutos de apatia total não são para aqui chamados e, por fim, a exibição na Trofa frente ao último classificado. E foi na Trofa que tudo rebentou. Quique irado, Rui Costa indignado, Presidente a exigir, adeptos a reclamar e os jogadores a pedirem compreensão e a fazerem juras de “levantar a cabeça e trabalhar ao máximo”. Confesso: Já não há paciência!
O mal do Benfica começa a meu ver nos seus adeptos e na sua fraca (nula?) cultura desportiva e entendimento da realidade que os rodeia. Deixam-se embarcar em sonhos quando mesmo adiante está a realidade que só não vê quem não quer ou não consegue. Exultam com resultados
absolutamente miseráveis frente a adversários acessíveis e com exibições calamitosas. E depois, quando a realidade lhes cai esmagadora em cima culpam tudo e todos à sua volta. Parece que ouvem um estalar de dedos que os desperta da letargia que os fez aplaudir fanaticamente jogadores que são promessas – efectivamente – mas que no Benfica têm de mostrar muito mais do que até aqui. Enfim, instala-se a histeria completa.Trata-se essencialmente de instalar uma cultura de exigência ao mais alto degrau. Só assim os jogadores e toda a estrutura pode sentir que há de facto uma obrigação e um dever para com o clube. Enquanto se refugiarem apenas em palavras e atitudes em altura de crise, os males que desde há anos afligem os encarnados nunca serão ultrapassados. É não sendo complacente com vitórias obtidas contra adversários frágeis pela margem mínima e depois de sofrimento brutal (Naval, Estrela, Paços Ferreira). Não adorar jogadores que por muito promissores que sejam pouco ou nada têm acrescentado ao clube – Di Maria à cabeça. A estes jovens é preciso exigir entrega, humildade (a rodos) e espírito de sacrifício. É que hoje em dia qualquer Di Maria, David Luiz ou Sidnei chega à luz e sente logo que é uma estrela de primeira linha e sem nada a provar. Se quer ser o primeiro entre os seus pares em Portugal é preciso ao Benfica mudar muita coisa. Não se deixar embalar por sonhos nem em ilusões assim que surgem 2 ou 3 vitórias. E acima de tudo ser exigente. Muito exigente.
Que sinal passa para os jogadores quando, após 3 jogos sem marcar um só golo, depois de serem eliminados sem ponta de dignidade da UEFA e da Taça, se atribui as maiores férias entre os 3 grandes na paragem de Natal? No mínimo devia fazer passar-se um sinal de insatisfação, de castigo, face a tão fraca prestação.
Por último algumas interrogações: será que o Makukula faria pior que os avançados que têm
jogado esta época? Será que Léo não seria uma óptima solução agora que o balão de Jorge Ribeiro se está a esvaziar? Seria Freddy Adu tão fraco jogador que não merecesse uma oportunidade de continuar a evoluir neste plantel? Pior que Urreta e Balboa? Não me parece. Acho que é um excelente jogador (caso seja feita uma aposta correcta e adequada) e foi uma pena o que Chalana lhe fez na época passada após ter assumido o comando da equipa, riscando por completo e sistematicamente o promissor americano dos seus eleitos.
3 comentários:
é bom este blog, é curioso o titulo dele o "meudesporto", pensei com este titulo fossem abordados varios temas do desporto nacional não apenas no futebol benfiquista!!! acho que é mais interessante falar de clubes da liga vitalis (a liga da agua)...tem um campeonato mais forte e cm varias noticias a serem mostradas aos leitores!!! que achas da ideia? ja não existem varios blogs a falarem dos grandes? que tal abraçar a ideia? pelo que li tens capacidades para isso e acho que se tornava num blog com mais interesse...
Começar o ano a mandar vir com o Benfica parece-me ser a melhor maneira.
Contudo, deves ter algum cuidado.
Se começam os adeptos do Glorioso a mandar vir com o próprio clube, que vão fazer os adeptos do Porto?
Pontos interessantes, meu caro.
Nada que não tenhamos já discutido demasiadas vezes.
Se calhar devíamos era começar a pensar em soluções, não?
E esse curso de treinadores, não se tira?
Fábio,
em primeiro lugar deixa-me agradecer o teu comentário. És sempre bem-vindo a este espaço e espero poder contar com a tua colaboração.
Quanto à sugestão que me deixas relativa à Liga Vitalis deixa-me que te diga que a acho muito interessante. Costumo segui-la antentamente até porque nela participa o "meu" Sporting da Covilhã. Sei também que és adepto do "teu" Desp. Aves. No futuro tentarei colocar algo sobre esse assunto. Se o tempo assim me permitir...
Quanto ao Benfica, deve ter sido um azar teu, visto ter sido o 1º post que dedico ao clube neste blog. O que me interessa em primeiro lugar é falar dos desportos que mais gozo me dão e de certa forma partilhar algumas opiniões com quem lê este blog. Se vires alguns dos posts anteriores podes verificar isso mesmo facilmente.
Diogo,
"Se começam os adeptos do Glorioso a mandar vir com o próprio clube, que vão fazer os adeptos do Porto?"... não vejo as coisas dessa forma, até porque se há coisa que sempre achei redutora é aquela ideia de que não podemos dizer mal do que gostamos sob pena de estarmos a ser menos defensores das nossas causas. Esse fenómeno tornou-se evidente sobretudo na Selecção aquando da presença de Scolari, na altura parecia que era anti-patriótico quem ousasse apontar um dedo que fosse à Selecção.
Em relação às soluções, creio que ambos sabemos bem quais seriam, aliás nos últimos meses o que não nos tem faltado é tempo para as abordar.
Curso de treinadores? Prometi a mim próprio que não passava de 2009. Será?
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