A primeira memória que tenho do Hugo Leal enquanto jogador remonta há cerca de 12/13 anos, quando o vi jogar em Santarém com a camisola dos Juniores do Benfica contra o União local. O resultado não recordo bem, no entanto havia algo de especial naquele míudo. Destacava-se de todos os outros pelo seu toque de bola e sobretudo pela elegância. No final do jogo tive oportunidade de trocar algumas palavras com o aspirante a craque e fiquei muito impressionado. Mostrava ser uma anti-estrela e também um jovem com os pés bem assentes no chão. Com uma postura bem diferente daquela que sempre me habituei a ver nos jovens craques, foi fácil perceber que estava na presença de um jogador com bastante futuro. Desde muito novo que foi internacional e teve uma ascensão meteórica tanto no seu clube como nas camadas jovens da Selecção – chegou inclusive a ser chamado à equipa principal de Portugal.
Todos os que os viam jogar, desde treinadores, colegas, adversários e jornalistas, lhe previam um futuro brilhante. E de facto tinham razão. O que acho que falhou na sua carreira foi a gestão que fez da mesma. Vamos por partes…
Meses depois do jogo que tive oportunidade de ver em Santarém, o Hugo Leal estreou-se no Benfica pela mão de Manuel José. Na altura com 16 anos, foi uma autêntica bomba. Um míudo das escolas a estrear-se com a camisola do Benfica. Era o confirmar das impressões que tivera antes – o rapaz era mesmo craque. No ano seguinte esteve emprestado ao Alverca, onde formou uma dupla que ainda hoje é falada, com Deco (e como diferiram depois as suas carreiras). Após esse ano de aprendizagem e crescimento voltou à equipa principal do Benfica onde começou a brilhar cada vez mais. Na época seguinte caiu de vez no goto de todos, assinando exibições muito interessantes e afirmando-se cada vez mais. Acarinhado pelos benfiquistas, colocado ao nível das estrelas do clube, tinha tudo para crescer na Luz e projectar-se para um patamar muito elevado. No entanto foi nesta altura que as escolhas (erradas) viriam a tornar-se preponderantes na sua carreira. A sua rescisão bem polémica marcou a sua carreira como futebolista na minha óptica. Foi uma imagem da qual nunca mais se conseguiu livrar. Até em termos psicológicos isso se notou.
Chegado a Madrid ainda muito jovem e depois de um processo de grande desgaste (no qual viria a ser condenado a indemnizar o Benfica) conseguiu fazer 2 boas épocas com o Atlético antes de se transferir para Paris. Em Madrid protagonizou com Dani uma dupla
de sonho para todos os “colchoneros”. Dois míudos cheios de talento e que ainda para mais eram os meninos-bonitos por onde quer que passassem. Curioso como em ambos os casos a sua carreira teve um desenrolar bem diferente do que lhes era augurado. O salto para Paris, onde vestiu a camisola do P.S.G., não surpreendeu. Foi contratado como grande estrela, com um super-ordenado. Era o mais bem pago da equipa – à frente de Ronaldinho Gaúcho por exemplo (!?!). Porém o seu futuro em
Paris foi destroçado devido a esse mesmo detalhe – o ordenado. Juntando a isso uma lesão e exibições fracas o resultado era óbvio, a dispensa.
Foi então que regressou a Portugal. Contratado pelo F.C. Porto na época pós-Mourinho pensou-se que poderia ser um relançar da carreira ao mais alto nível. No entanto a sua carreira ainda não tinha entrado na parte mais descendente. Seguiu-se meia temporada na Académica de Coimbra (onde esteve em muito bom plano), uma passagem discreta por Braga e um ano praticamente parado no Belenenses. Agora retomou a carreira… no Trofense.

E é neste ponto que me queria focar. Vi no outro dia uma entrevista a Hugo Leal. No programa estavam também o João Pinto (seu ex colega no Benfica) e Luís Freitas Lobo. Foi constrangedor. Ambos estavam visivelmente inibidos ao comentarem a carreira e potencialidades do jogador. Ficou a sensação de que às tantas lhes apetecia dizer: “epá como é que chegaste a este ponto? Um jogador como tu?”. O próprio jogador parecia basear o seu optimismo num passado já bem longínquo.
Às tantas o entrevistador colocou uma questão pertinente: “Como se sente quando vê Simão Sabrosa (sobretudo este), um seu ex-colega de Selecção e também ele um míudo-promessa, brilhar e ter uma carreira notável?”. Foi notório o “engolir em seco” de Hugo Leal.
Fica a lição. Uma carreira de futebolista constrói-se ao longo de 10/15 anos ao mais alto nível. O que aconteceu a Hugo Leal foi o inverso. Inicio fulgurante é certo. Mas agora que está com um pouca mais de meio da mesma dá por ele a jogar no Trofense, depois de muitas experiências falhadas nos últimos anos. Ele que já jogou (e brilhou) ao lado de grandes craques – Ronaldinho, Simão, Deco – vê-se agora a disputar um lugar no meio-campo da equipa da Trofa, lutando para não descer de divisão. Hugo Leal quis crescer muito depressa e foi vítima disso mesmo.
Bem sei que as lesões têm desempenhado um papel muito importante na falta de rendimento continuado de Hugo Leal, no entanto creio que o episódio que passou com o Benfica manchou desde muito cedo a sua carreira. Sempre que o seu nome
vem à baila não há ninguém que se esqueça dessa traição que protagonizou a quem tanto acreditou no seu valor e acarinhou.
Nos anos que passou em Espanha e França ganhou muito dinheiro certamente. Aquando do seu regresso a Portugal para representar o Porto também deverá ter conseguido negociar um bom contrato. A parte financeira não deve ser o maior pesadelo de Hugo Leal. Nada lhe deve pesar tanto como pensar no que já foi enquanto jogador e no que é actualmente – um jogador, uma ex-promessa, em busca de um relançar de carreira (mais um?). Dá que pensar…
Todos os que os viam jogar, desde treinadores, colegas, adversários e jornalistas, lhe previam um futuro brilhante. E de facto tinham razão. O que acho que falhou na sua carreira foi a gestão que fez da mesma. Vamos por partes…
Meses depois do jogo que tive oportunidade de ver em Santarém, o Hugo Leal estreou-se no Benfica pela mão de Manuel José. Na altura com 16 anos, foi uma autêntica bomba. Um míudo das escolas a estrear-se com a camisola do Benfica. Era o confirmar das impressões que tivera antes – o rapaz era mesmo craque. No ano seguinte esteve emprestado ao Alverca, onde formou uma dupla que ainda hoje é falada, com Deco (e como diferiram depois as suas carreiras). Após esse ano de aprendizagem e crescimento voltou à equipa principal do Benfica onde começou a brilhar cada vez mais. Na época seguinte caiu de vez no goto de todos, assinando exibições muito interessantes e afirmando-se cada vez mais. Acarinhado pelos benfiquistas, colocado ao nível das estrelas do clube, tinha tudo para crescer na Luz e projectar-se para um patamar muito elevado. No entanto foi nesta altura que as escolhas (erradas) viriam a tornar-se preponderantes na sua carreira. A sua rescisão bem polémica marcou a sua carreira como futebolista na minha óptica. Foi uma imagem da qual nunca mais se conseguiu livrar. Até em termos psicológicos isso se notou.
Chegado a Madrid ainda muito jovem e depois de um processo de grande desgaste (no qual viria a ser condenado a indemnizar o Benfica) conseguiu fazer 2 boas épocas com o Atlético antes de se transferir para Paris. Em Madrid protagonizou com Dani uma dupla
de sonho para todos os “colchoneros”. Dois míudos cheios de talento e que ainda para mais eram os meninos-bonitos por onde quer que passassem. Curioso como em ambos os casos a sua carreira teve um desenrolar bem diferente do que lhes era augurado. O salto para Paris, onde vestiu a camisola do P.S.G., não surpreendeu. Foi contratado como grande estrela, com um super-ordenado. Era o mais bem pago da equipa – à frente de Ronaldinho Gaúcho por exemplo (!?!). Porém o seu futuro em
Paris foi destroçado devido a esse mesmo detalhe – o ordenado. Juntando a isso uma lesão e exibições fracas o resultado era óbvio, a dispensa.Foi então que regressou a Portugal. Contratado pelo F.C. Porto na época pós-Mourinho pensou-se que poderia ser um relançar da carreira ao mais alto nível. No entanto a sua carreira ainda não tinha entrado na parte mais descendente. Seguiu-se meia temporada na Académica de Coimbra (onde esteve em muito bom plano), uma passagem discreta por Braga e um ano praticamente parado no Belenenses. Agora retomou a carreira… no Trofense.


E é neste ponto que me queria focar. Vi no outro dia uma entrevista a Hugo Leal. No programa estavam também o João Pinto (seu ex colega no Benfica) e Luís Freitas Lobo. Foi constrangedor. Ambos estavam visivelmente inibidos ao comentarem a carreira e potencialidades do jogador. Ficou a sensação de que às tantas lhes apetecia dizer: “epá como é que chegaste a este ponto? Um jogador como tu?”. O próprio jogador parecia basear o seu optimismo num passado já bem longínquo.
Às tantas o entrevistador colocou uma questão pertinente: “Como se sente quando vê Simão Sabrosa (sobretudo este), um seu ex-colega de Selecção e também ele um míudo-promessa, brilhar e ter uma carreira notável?”. Foi notório o “engolir em seco” de Hugo Leal.
Fica a lição. Uma carreira de futebolista constrói-se ao longo de 10/15 anos ao mais alto nível. O que aconteceu a Hugo Leal foi o inverso. Inicio fulgurante é certo. Mas agora que está com um pouca mais de meio da mesma dá por ele a jogar no Trofense, depois de muitas experiências falhadas nos últimos anos. Ele que já jogou (e brilhou) ao lado de grandes craques – Ronaldinho, Simão, Deco – vê-se agora a disputar um lugar no meio-campo da equipa da Trofa, lutando para não descer de divisão. Hugo Leal quis crescer muito depressa e foi vítima disso mesmo.
Bem sei que as lesões têm desempenhado um papel muito importante na falta de rendimento continuado de Hugo Leal, no entanto creio que o episódio que passou com o Benfica manchou desde muito cedo a sua carreira. Sempre que o seu nome
vem à baila não há ninguém que se esqueça dessa traição que protagonizou a quem tanto acreditou no seu valor e acarinhou.Nos anos que passou em Espanha e França ganhou muito dinheiro certamente. Aquando do seu regresso a Portugal para representar o Porto também deverá ter conseguido negociar um bom contrato. A parte financeira não deve ser o maior pesadelo de Hugo Leal. Nada lhe deve pesar tanto como pensar no que já foi enquanto jogador e no que é actualmente – um jogador, uma ex-promessa, em busca de um relançar de carreira (mais um?). Dá que pensar…
2 comentários:
"Quiiiiii chato!"
E tu que não fosses ao Hugo Leal!!
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