quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Noruega 1 v Portugal 0 - À deriva na Noruega

Depois dos acontecimentos do jogo com o Chipre e de toda a turbulência à volta da Selecção e do "caso Queirós" é caso para dizer que pior é impossível.

Vi o jogo com atenção. Após o Mundial e toda a sucessão de acontecimentos e desconfianças, acreditei que um bom início de qualificação para o Euro 2012 poderia dar a devida margem de manobra e de erro à equipa técnica para, finalmente, poder respirar sem ter de lutar permanentemente contra a aflição de um resultado-salvador. Nesse aspecto nada pior que o empate caseiro com os cipriotas. À excepção do que se passou ontem em Oslo...

De facto voltámos a um tempo que nos parecia longínquo, no nosso historial recente de apuramentos para competições internacionais. E de uma coisa podemos ter desde já uma certeza: daqui até ao final da qualificação vai ser sempre a sofrer. Ainda que acredite que Chipre e Islândia vão causar estragos no grupo e roubar bastantes pontos aos favoritos.

Voltando um pouco ao início do que escrevi, achei o jogo de ontem mau de mais para poder ser demonstrativo do nosso valor. Foi uma das piores exibições que me recordo da Selecção. E isso diz muito. Ficou desde cedo - antes ainda do brinde de Eduardo, mais propriamente - convencido que Portugal não conseguiria empatar, muito menos chegar à vitória.

Foi notória a falta de entrosamento, orientação, liderança e estímulo no jogo de ontem. Acho que a maioria viram o jogo concordam neste ponto... Além disso tornou-se claro que Agostinho Oliveira- pese embora a sua boa vontade e lealdade inquestionável - não tem o perfil necessário para tamanha tarefa. E começo a questionar vivamente se Carlos Queirós alguma vez o terá.

Aqui ficam algumas notas que prefiro destacar neste jogo:

- como é possível jogarem Manuel Fernandes, Raul Meireles e Tiago de início? Repete-se o erro cometido contra o Chipre, no caso dos 2 primeiros jogadores, acrescentando agora Tiago no elenco de meio-campo com ZERO minutos de competição oficial esta época. E quando se vê João Moutinho sentado no banco sem nunca ser chamado à equipa, o mistério adensa-se

- não gosto, nunca gostei, e dificilmente irei algum dia gostar de Hugo Almeida a jogar de início na Selecção. Aliás, acho mesmo que ele é seguramente o pior ponta de lança que alguma vez vi jogar na equipa de Portugal. Acho incrível a carreira que tem vindo a construir sendo tão limitado. É um jogador banal e que se destaca apenas por uma razão: falta de concorrência. Relativamente a ontem aquilo que mais me enervou e me fez reforçar tudo aquilo que disse antes relativamente a Hugo Almeida foram os contantes foras-de-jogo em que foi apanhado. Sobretudo se se analisarem um a um e se vir que eles advêm da sua desconcentração. Lances que vêm da construção (ou seja não é um ressalto nem uma insistência) e que apanham a nossa referência de área 1 metro ou 2 adiantado. Simplesmente mau de mais.

- a evidência maior da incapacidade portuguesa revela-se gritantemente num aspecto: o nosso futebol passa por uma fase em que a Selecção só se foca numa abordagem ao jogo - Ataque rápido ou Contra-ataque. Se estas soluções não funcionarem por algum motivo, o melhor é esperar um milagre ou algo parecido. É que é constrangedor verificar a incapacidade de construir jogo e ameaçar a baliza contrária mediante situações de apoio ao homem da bola e coberturas ofensivas. É um pouco cada um por si, não se vê jogo de Equipa

- gostei de ver tanto Miguel Veloso como Sílvio nas laterais. Não tendo sido brilhantes conseguiram o essencial da sua função: serem seguros e o mais intransponíveis possível, jogando com serenidade e sem aquela carga sobre os seus ombros

- como é possível Liedson entrar apenas aos 83'? É significativo da falta de ambição e de rasgo de quem tinha a responsabilidade de fazer algo. Olhando para uma equipa que não consegue encontrar soluções de penetração nem de rotura e saber que se tem o Levezinho no banco é qualquer coisa de excepcional. Sobretudo com a conjuntura que temos actualmente

p.s. não suporto ouvir o Hélder Conduto. É irritante, os seus comentários são insípidos e sem qualquer rasgo ou paixão. Se a ele juntarmos António Tadeia e todos os seus clichés e opiniões baseadas em mãos cheias de nada, ficamos com a dupa de comentadores mais desprovida de paixão e absolutamente desnecessária de ouvir que consigo imaginar. Não tem ponta por onde se pegar. Se compararmos então com Carlos Daniel a diferença então torna-se gritante. Serei só eu a ver isto?

4 comentários:

DaMaSCo disse...

Esclarece-me apenas uma questão: antes destes resultados, eras a favor da continuidade de Queirós?

Pedro disse...

Fui ao longo de toda a qualificação passada. Aliás foram várias as pessoas com quem discuti isso e com quem cheguei a apostar.

Chegados ao Mundial as coisas mudaram. E o pior nem foram os resultados. Foram várias coisas que não gostei. A vaidade, a falta de humildade à cabeça. E depois o absoluto desnorte das nossas prestações. Mais até que os resultados. É que perder com as nossas ideias ainda vá, agora perder por medo de arriscar e ser feliz é que não. Desiludiu-me o Mundial sobretudo porque nunca jogámos "à Portugal".

Ainda assim acreditei até bastante tarde que a solução passava por ele. Sempre quis ver o que seria a "sua" Selecção começando uma qualificação bem, em vez de andar permanentemente a correr atrás do prejuízo.

Infelizmente apareceu tudo isto e foi impossível ver se tinha ou não razão. Ainda hoje não sei que pense sobre isso.

A única coisa que avanço desde já é que não me importava de falhar o EURO 2012. Fazia bem a esta geração de Ronaldos e Nanis ficar de fora numa grande competição. Talvez assim, à semelhança da Geração de Ouro, sentissem esse sabor amargo uma vez na carreira e a partir daí aprendessem que a Selecção e as fases finais não são dados adquiridos

DaMaSCo disse...

Gostava de ter tido o teu optimismo, mas o Sr. Queirós não o permitiu.

Quando foi contratado, admito que concordei, embora soubesse que já não tem perfil para ser treinador principal. Só que logo na primeira conferência de imprensa, o palerma decidiu gastar todos os créditos que tinha comigo. Em vez de fazer-se valer do seu passado na selecção, da sua carreira como treinador, decidiu antes marcar posição atacando o Scolari. Lamento, mas é errado. Independentemente de se gostar ou não do trabalho de Scolari, não se chega a um trabalho novo acusando o anterior funcionário de ter feito um mau trabalho. É de uma falta de carácter enorme. E, aí, Queirós mostrou-se sempre coerente. Decisões, convocatórios, jogos ou resultados à parte, Queirós mostrou sempre uma falta de carácter enorme. Uma selecção, como qualquer clube, precisa de um líder. E um líder tem que ter carácter. Pode ser o maior idiota do mundo, chamar nomes a toda a gente, criticar ou ser teimoso. Pode queimar jogadores, contrariar dirigentes ou entrar em conflitos com jornalistas. Se tiver carácter, é meio caminho andado para ter mão na equipa. Queirós nunca teve, com as suas palermices por causa do Scolari, com as suas idiotices de «meninos» para aqui e acolá e, acima de tudo, a sua postura. Nunca o viste assumir culpas de nada. Nada! Como é possível? Havia sempre um bode espiatório. Mesmo no jogo da Costa do Marfim, a culpa era de quem tinha autorizado o Drogba a jogar! Não gostei do trabalho dele e custa-me ouvir pessoas dizer que foi contratado para organizar a selecção a todos os níveis, não só na equipa principal. Não faço ideia o que tenha feito. Não vejo quaisquer resultados práticos dessa sua «organização». Vi-o a voltar aos velhos vícios do passado. Vi a selecção outra vez a ter que andar a fazer contas. E vi os jogadores a pensar que ganhavam só porque têm nome, em vez de se esforçarem em campo. Coisa que, felizmente, também já não via há uns tempos.

E eu sei que esta próxima parte vai soar estúpida, deitando um pouco por terra o que digo acima, mas olha que ando convencido que o sacana boicotou estes dois jogos para ser despedido, para receber mais dinheiro de indemnização. É impossível tomar tantas más decisões seguidas. Ou se é muito burro e/ou incompetente, ou então é de propósito.

Eu sei. Eu sei. Teorias da conspiração. Que queres? Quando vejo estes gajos sem carácter penso sempre que estão a armar alguma. ;)

Pedro disse...

Quanto às teorias da conspiração concordo contigo... cada um tem as suas e às vezes são bem mirambolescas. Como bem sabes volta e meia também me saio com cada uma que enfim....

Quanto ao Queirós. Concordo maioritariamente com o que dizes. De facto em termos de personalidade desiludiu-me bastante. Sobretudo a falta de humildade que sempre mostrou, junto com os tiques de vaidade monstruosa.

Como te disse antes até dada altura defendi com unhas e dentes o Prof. Acreditava sinceramente que o jogo com a Dinamarca tinha sido somente um azar que lamentavelmente nos viria a condicionar o resto da qualificação e nunca permitiu que existisse o tal "estado de graça". Daí que estivesse curioso para o ver iniciar esta fase para, aí sim, poder finalmente dizer de minha justiça. É o sabor amargo que me fica, infelizmente todo este caso de suspensões e etc não me deixa afastar de vez essa dúvida.

Várias vezes dei comigo a defender o Prof. em grupos onde tudo e todos diziam mal dele. Na altura o meu argumento era sempre o mesmo: "ok, até concedo que me digam que ele está a desiludir. Agora se me vêm com a conversa do isto-com-o-Scolari-é-que-era então levam comigo a ser do contra". E basicamente era isto. Defendia o Queirós nem tanto pelas suas virtudes, mas sobretudo pela oposição ao Scolari.

E atenção, não quero com isto dizer que o Scolari era mau ou que fez um mau trabalho. Não. O que quero dizer é que comparar o grupo onde nos encontrámos (tanto na qualificação como até mesmo no Mundial) com o que alguma vez encontrámos com o Felipão é no mínimo não ver as coisas decentemente. E quando me dizem que com o Scolari era sempre nas calmas e tudo tranquilo então mando-me ao ar! Falhas e resultados lastimáveis na era Scolari é o que não faltou também. Pena a memória às vezes ser curta.

E agora parece que vem aí o Paulo Bento.... não me choca. Embora eu tenha uma teoria para o cargo de seleccionador que, a ser seguida, ia revolucionar isto tudo. Um dia talvez aqui levante o véu.

Abraço!